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Desde o início de maio o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), acumula queda de 11,3%. Apesar do cenário interno promissor, com expectativa de crescimento de 9,85% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas do País, no primeiro trimestre, os acontecimentos de fora do País pesaram negativamente.

Desde o início de maio o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), acumula queda de 11,3%. Apesar do cenário interno promissor, com expectativa de crescimento de 9,85% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas do País, no primeiro trimestre, os acontecimentos de fora do País pesaram negativamente. As notícias que mexem com a bolsa vêm, principalmente, da Europa. "Há grandes dúvidas quanto à força do euro e como a moeda pode se equilibrar em 16 países com economias tão diferentes", afirma o professor da Faculdade Trevisan, Alcides Leite. Ele explica, no entanto, que quando o humor dos mercados é ruim, más notícias aparecem e têm mais efeito do que as boas. "O Japão e os EUA deram bons sinais que foram ignorados pelo mercado." A dúvida sobre o poder de recuperação de países altamente endividados, como Grécia e Espanha, está fazendo com que investidores de todo o mundo evitem o euro, desvalorizando-o em relação ao dólar. No Brasil, os temores provocam a fuga de investidores estrangeiros da Bovespa, em busca de ativos mais seguros. "Como os volumes são muito grandes, pressionam a Bolsa para baixo", avalia o professor de finanças do Insper, Ricardo Fontes. A melhor notícia do mês veio no dia 10, com o anúncio do pacote de socorro de 750 bilhões para economias europeias endividadas. Ele fez com que os mercados respirassem e as bolsas subissem no mundo todo. A decisão da União Europeia foi entendida pelo mercado como sinal de solidez e união do bloco de países. A euforia durou pouco e, um dia depois, mais quedas. "Assim que tomam conhecimento das informações, investidores já se animam e compram, tomando decisões que podem não ser as mais certas, e logo precisam ser reavaliadas", diz Fontes. "No dia seguinte entenderam que apenas o anúncio do fundo não era a salvação." O clima na Europa se agravou na última semana após a Alemanha decidir, sem discutir com outros países, restringir as vendas em descoberto de ativos, um tipo de operação em que o investidor ganha ao apostar na queda da bolsa, contribuindo para que elas caiam mais. "Em outro contexto não teria tanto peso, mas com o ambiente ruim e as maiores economias europeias divergindo quanto à condução da crise, tem peso político e aumenta o pânico", avalia Leite. Depois de seis quedas seguidas, a Bovespa teve trégua no último pregão da terceira semana do mês e subiu 3,55%. "Não teve notícia ruim na Europa e a agenda estava vazia de indicadores" afirma a analista da corretora Spinelli, Kelly Trentin. Puxou a alta o desempenho das siderúrgicas, em especial da Vale. Para Leite, os baixos patamares do Ibovespa podem significar boas oportunidades de compra para o pequeno investidor que pretende investir a longo prazo. "Se não precisar do dinheiro logo, é um bom negócio para os próximos anos", avalia. "Para isso, o investidor precisa de estratégia, estipular prazos e objetivos, e não se abalar com o sobe e desce momentâneo." Kelly ressalta, no entanto, que é impossível saber se a Bovespa chegou a seu mínimo, e se as ações são boa aposta para curto prazo. "Pode cair ainda mais, dependendo do desenrolar da situação na Europa e de como a China vai tratar a inflação crescente."

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