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A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em alta hoje, replicando a euforia vivida pelos mercados acionários internacionais, que reagem positivamente ao pacote de socorro às agências hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac. Às 10h14 (de Brasília), o Índice Bovespa disparava 3,18%, a 53.

593 pontos, na máxima do dia até o momento.

Ontem, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou uma gigantesca injeção de capital - de até US$ 100 bilhões a cada uma das agências - para mantê-las solventes e evitar o colapso do sistema financeiro. Ao eliminar uma fonte de incerteza de curto prazo, o governo americano ajuda a restaurar a confiança nos mercados de crédito e diminuir a aversão ao risco.

Porém, analistas afirmam que há dúvidas se esse efeito vai perdurar. O plano de socorro revela, na verdade, a gravidade da crise e é visto como uma medida "dramática", conforme apontam o os jornais Financial Times e The Wall Street Journal. Especialistas observam ainda que os problemas da crise de crédito não acabaram.

Mas, por enquanto, não há como fugir dessa euforia. "O dia é de festa. Depois o mercado deve cair na real de novo", afirmou um operador. A previsão é de uma alta forte na Bolsa brasileira hoje, com crescimento do volume de negócios, apoiada na volta dos investidores estrangeiros ao pregão.

Ações

No exterior, as ações do setor financeiro lideram os ganhos nas bolsas internacionais. Na Europa, onde os ganhos superam facilmente os 3%, os papéis dos bancos suíços UBS e Credit Suisse ganhavam 12% e 10%, respectivamente, enquanto o francês Société Générale avançava 9%. No Brasil, as ações preferenciais (PN) do Bradesco e do Itaú avançavam 4,3% e 4,43%, respectivamente, às 10h10.

A alta do petróleo e das matérias-primas (commodities) metálicas superior a 1% é mais um motivo de otimismo para a Bovespa hoje. No mesmo horário, as ações ordinárias (ON) e PN da Petrobras ganhavam 3,46% e 3,01%, respectivamente, enquanto as ações PN classe A (PNA) da Vale tinham alta de 3,52%.

Além do petróleo em alta, as ações de Petrobras podem repercutir ainda o discurso de ontem em cadeia de rádio e televisão do presidente Lula, reforçando o papel da Petrobras na "era do pré-sal". Lula disse que a descoberta da camada do pré-sal, localizada abaixo do leito marinho, não seria possível sem a empresa e chamou-a de "nossa querida Petrobras". Ele acrescentou que a política do governo vai no sentido de reforçar a estatal petrolífera. O presidente não deu detalhes sobre qual tipo de reforço tem em mente.

No caso da Vale, merece registro a notícia de sábado do jornal The Wall Street Journal, informando que teve acesso a uma carta em que a Vale notificou na semana passada algumas siderúrgicas asiáticas sobre seu plano de impor um aumento adicional de cerca 20% aos preços dos contratos negociados em junho. Segundo a cópia da carta citada pelo periódico, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, quer que os preços de seu produto fiquem 86% e 92% acima dos níveis dos contratos de 2007. Os novos preços valeriam para embarques a partir de 1º de setembro, segundo o Journal.

Outra notícia do lado corporativo que pode ter influencia pontual no pregão é a de que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o governador de São Paulo, José Serra, teriam chegado a um acordo na última quinta-feira (dia 4) a respeito do futuro da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), segundo a edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo. Teria ficado acertado que Serra não privatizará mais a Cesp, mas venderá ações até o limite em que ela se mantenha sob controle estatal. Em troca, Dilma prometeu que o governo federal prorrogará as concessões de duas usinas hidrelétricas da Cesp, Jupiá e Ilha Solteira, responsáveis pela maior parte da receita da estatal. Às 10h15, as ações PN classe B (PNB) da Cesp tinham alta de 0,48%.