Escorado no bom desempenho das ações da Vale e da Petrobrás, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) disparou ontem 8,36%. O indicador também foi favorecido pelo dia positivo no exterior.

Em Nova York, o Índice Dow Jones avançou 4,67% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 3,43%.

Dois fatores, segundo analistas, explicam o bom humor (ao menos momentâneo) dos investidores. O primeiro deles foi a melhora nas condições dos empréstimos interbancários no exterior - a Libor, taxa de juro de referência desse mercado, caiu para o menor nível desde o fim de setembro.

O segundo foi uma declaração do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke. Ele disse que apóia a adoção de novas medidas para estimular a atividade econômica. Em outras ocasiões, Bernanke havia se mostrado crítico ao afrouxamento da política fiscal.

Mesmo com a alta expressiva de ontem, o Ibovespa acumula perdas de 38,2% no ano. O Dow Jones, de 30,1%, e a Nasdaq, de 33,2%. "A valorização de hoje (ontem) não significa uma tendência", disse o economista-chefe da Corretora Souza Barros, Clodoir Vieira. "Foram notícias pontuais que deram ânimo aos investidores." Entre elas, ele citou a alta de 3,3% do petróleo.

Foi isso que deu fôlego às ações da Petrobrás. Os papéis preferenciais (PN) da estatal subiram 9,94% e os ordinários (ON), 11,77%. A alta das commodities (não só o petróleo ganhou ontem) também beneficiou as ações da Vale, que avançaram 12,34% (ON) e 12,57% (PN). "Há uma avaliação de que Petrobrás e Vale estão baratas, mas isso não significa que já chegamos ao fundo do poço."

O diretor de Análise da Mercatto Gestão de Recursos, Paulo Veiga, também avalia que é cedo para comemorar a forte alta de ontem. "É difícil falar em consistência, pois isso significa preços ajustados de acordo com um futuro previsível, algo que não temos minimamente", disse. "O ambiente continuará sendo de volatilidade acima das médias históricas."

No cenário de Veiga, talvez seja preciso ainda um ano para que fique claro se o mundo está passando por um período de ajuste (após a acelerada expansão dos últimos anos) ou se trata de uma recessão forte.

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