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Bolsa já perdeu todo o capital externo que entrou com IPOs no ano

Todo o capital estrangeiro que alimentou as ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) e secundárias de ações neste ano já deixou o País. A saída de capital externo, até a primeira semana de novembro, já supera o volume de recursos estrangeiros que entrou na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nessas ofertas.

Agência Estado |

De acordo com os dados da Bovespa, até o dia 7 deste mês, o saldo líquido dos investimentos estrangeiros está negativo em R$ 23,470 bilhões. O montante é superior ao que entrou de capital externo em IPOs e ofertas secundárias neste ano, um total de R$ 19,773 bilhões.

"A grosso modo, dá para assumir que todo o dinheiro que os estrangeiros investiram em ofertas de ações neste ano e uma parte do ano passado saiu da Bolsa", afirma o analista da Itaú Corretora, Victor Mizusaki. Segundo ele, a saída de capitais está associada à aversão ao risco dos estrangeiros a mercados emergentes, como o Brasil. Com o agravamento da crise financeira internacional, em meados de setembro, eles passaram a vender suas posições no País para cobrir prejuízos em seus países de origem. Ou buscaram ativos mais seguros, como títulos públicos do Tesouro Americano.

Os investidores estrangeiros foram protagonistas do boom de IPOs que o mercado de capitais brasileiro viveu entre 2004 e 2007. Em alguns casos, detinham quase dois terços das ações das empresas que abriram capital. "A base de acionistas estrangeiros da BM&F, na época do IPO, era de 70%, 75%. Hoje, está em 48%", diz o analistas de investimentos da Spinelli Corretora, Jayme Alves. "Eles estão reduzindo sua exposição na participação acionária das empresas."

Neste ano, mesmo com o fim da euforia na Bolsa - foram apenas quatro IPOs e 12 ofertas secundárias -, os estrangeiros mantiveram participações expressivas nas empresas. Na oferta inicial da Hypermarcas, em abril, por exemplo, o volume estrangeiro chegou a 97,2%. Na da OGX, dois meses depois, 63,5% do capital veio de investidores internacionais.

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ernesto Lozardo, esse capital deve demorar para ensaiar uma volta ao País. "Os investidores vão aguardar um momento de maior previsibilidade do mercado de renda variável, o que deve levar pelo menos um ano", diz Lozardo.

Segundo o professor, os estrangeiros esperam as regras de supervisão da estrutura financeira internacional, com definições sobre as alavancagens dos bancos de investimento, por exemplo.

Outros mercados, como Rússia e Coréia do Sul, que também têm forte participação de capital estrangeiro, estão passando por situação semelhante, segundo Lozardo. "Não se trata de um risco do Brasil, mas de um risco do mercado e da renda variável, em nível mundial", diz o professor. Ele lembra que movimento semelhante ocorreu na crise de 1929, quando americanos que tinham investimentos nas bolsas européias venderam os papéis em busca de títulos do Tesouro de seu país.

Desde o pico histórico, de 73.516 pontos, em 20 de maio, o Ibovespa perdeu metade de seu valor e fechou ontem aos 34.373 pontos. A queda acumulada desde o dia 1º de setembro chega a 38,27%.

O analista da Itaú Corretora Victor Mizusaki acredita que a liquidação de posições de estrangeiros em setembro e outubro garantiu a manutenção de forte giro financeiro na Bovespa. Naqueles dois meses, o giro médio diário (volume negociado em um dia na Bolsa) foi robusto e ficou acima dos R$ 5 bilhões. "Agora que a maior parte dos recursos já saiu, a tendência é que o giro se estabilize em um patamar menor, entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, voltando aos níveis de 2007", disse.

A crise, comentou um gestor, frustrou a expectativa de crescimento da Bolsa após a concessão da primeira nota de grau de investimento, no final de abril. No mês seguinte, em maio, a média diária chegou a R$ 7,035 bilhões e foi comemorada como um novo patamar para a Bovespa. "Infelizmente, teremos de esperar o pior momento passar para ver a volta dos estrangeiros e o crescimento da Bolsa", disse.

Outro analista diz que o giro só voltará a crescer quando as medidas anunciadas nos Estados Unidos e Europa começarem a surtir efeito. "Quando o mercado recuperar a confiança, os estrangeiros devem voltar ao pregão", afirmou.

A saída de capital externo e o encolhimento do volume negociado diário devem se refletir nos resultados da BM&FBovespa nos próximos trimestres, acredita Mizusaki.

Em seu último resultado trimestral, divulgado na terça-feira, a BM&FBovespa mostrou lucro líquido de R$ 235,611 milhões. O crescimento no terceiro trimestre deste ano foi de 15,3% em relação ao lucro de R$ 204,336 milhões no mesmo período de 2007.

A receita líquida de julho a setembro da empresa totalizou R$ 404,675 milhões, uma alta de 12,2% na comparação anual. O Ebitda no trimestre encerrado em setembro subiu para R$ 275,547 milhões, ante R$ 223,797 milhões em 2007.

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