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O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da BM&FBovespa, Carlos Kawall, espera que o volume financeiro total das ofertas de ações realizadas no Brasil em 2009 fique em torno de R$ 50 bilhões. As ofertas já realizadas somam R$ 41,1 bilhões e as estimativas das que estão programadas chegam a R$ 8 bilhões, disse o executivo em teleconferência com a imprensa.

Há oito ofertas programadas, sendo cinco ofertas públicas iniciais (IPOs) - Direcional Engenharia, Brazilian FR, Aliansce, Fleury e IMC - e três follow on - Marfrig, EDP e Anhanguera Educacional.

Questionado se a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investidores estrangeiros irá atrapalhar o desempenho da Bolsa, Kawall afirmou que ainda é cedo para fazer uma avaliação conclusiva. "Há a certeza de que não gostamos do aumento dos negócios de empresas brasileiras lá fora, mas também não houve uma queda dramática nos volumes aqui dentro", disse. A alíquota de 2% passou a vigorar nas operações liquidadas a partir do dia 20 de outubro.

E mesmo sobre o aumento das operações com ADRs, Kawall afirmou que não é possível atribuir toda a movimentação a um suposto aumento de arbitragem. "O IOF coincidiu com um momento em que todo mercado aumentou os volumes", disse. A cobrança do IOF é uma das tentativas do governo federal de evitar a valorização excessiva do real ante o dólar. Na avaliação do executivo, no entanto, o mercado de capitais pode contribuir para solucionar os problemas do câmbio. "Com o desenvolvimento desse mercado teremos menor dependência dos financiamentos externos", disse.

Kawall preferiu não comentar a expectativa do governo federal em atender os pleitos da BM&FBovespa, que solicitou a isenção do IOF sobre as ofertas iniciais. Acrescentou, no entanto, que a agenda do mercado com os reguladores não se limita a essa questão do IOF. Como exemplo, o executivo citou a legislação cambial, que dificulta a listagem de Brazilian Depositary Receipts (BDRs).

Apesar da cobrança do IOF para investidores estrangeiros, a companhia mantém o projeto de se tornar uma bolsa global. "Esse é o nosso anseio e por isso intensificamos a força de vendas no exterior", disse. Na semana passada, a BM&FBovespa inaugurou um escritório em Londres. Além disso, discute um acordo com a Nasdaq e negocia com as bolsas da América do Sul, como a da Colômbia. Ainda não há conversas com as bolsas asiáticas, mas Kawall acredita que esse mercado é um passo natural dentro da proposta da companhia.

Kawall comemorou ainda os resultados alcançados pela BM&FBovespa no terceiro trimestre. No período, o lucro ajustado foi de R$ 337,3 milhões, alta de 6,8% em relação ao valor registrado entre julho e setembro do ano passado. O executivo lembra que quando foi feito, em 2008, o orçamento para este ano e a expectativa para o volume de negócios não eram muito promissores. "A média diária de negócios estava abaixo de R$ 4 bilhões. Desse ponto de vista, o mercado está melhor do que poderíamos imaginar", disse. No terceiro trimestre a média diária ficou em R$ 5,2 bilhões e no quarto (dados até 9 de novembro), em R$ 7,1 bilhões.

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