A BM&FBovespa e a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) elevaram, pela segunda vez na semana, a margem mínima de garantia para a negociação nos mercados de ações e de títulos. Na segunda-feira, a Bolsa havia aumentado a margem mínima de 10% para 12,5%.

Hoje ela foi alterada para 15%. A medida aumenta o custo, mas também a segurança dos investidores.

Procurada, a diretoria da BM&FBovespa não quis comentar a decisão. Operadores dizem que a medida é uma resposta à forte volatilidade que fez a Bolsa paulista acionar o circuit breaker três vezes desde o acirramento da crise, em meados de setembro.

O aumento, por tabela, torna as operações de venda a descoberto mais caras. Enquanto na venda tradicional o vendedor oferece apenas aquilo que tem em mãos, na venda a descoberto ele "aluga" uma ação para vender e banca a oscilação do papel e o pagamento da margem.

"Quando o preço da ação oscila muito, como tem sido visto nos últimos dias, o investidor é chamado para depositar mais garantias, o que torna a operação muito cara", comentou um gestor. "O aumento da margem tornou esse tipo de operação ainda mais cara. Operando no mercado à vista, fica mais fácil segurar a perda. Por isso o volume do mercado à vista tem crescido tanto na Bovespa nos últimos dias", disse.

Ontem, o giro financeiro na Bolsa ficou em R$ 7,402 bilhões e foi o terceiro maior do ano. O número de negócios foi recorde histórico, de 409.788, superando inclusive o movimento apurado no dia 2 de maio de 2008, quando o número de negócios atingiu 385.740 com o anúncio de que a agência de classificação de risco Standard & Poor's concedeu a nota de grau de investimento para o Brasil.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.