SÃO PAULO - A forte queda do mercado acionário nos últimos dois meses pegou no contrapé milhares de brasileiros. Estimulados pela expressiva valorização do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) entre 2003 e 2007 (467%) e pela queda do juro básico de setembro de 2005 a setembro de 2007, eles decidiram aplicar parte ou toda a poupança em ações.

Para se ter uma idéia, o número de pessoas físicas na Bovespa saltou de 85,2 mil, em 2002, para 516,8 mil em junho deste ano. Mas agora sofrem perdas que, só em julho, chegaram à média de 8,5%.

Segundo especialistas, o momento ruim deve ser visto como mais uma etapa na construção de uma cultura de investimento em ações no País. No médio e longo prazos, dizem, a perspectiva se mantém positiva.

"O investidor deve ver a bolsa como uma alternativa para as aplicações, não como uma loteria, na qual ficará rico de uma hora para a outra", diz Ricardo José de Almeida, professor do Ibmec São Paulo. "O mercado acionário é uma forma de a pessoa empreender sem ter de abrir seu próprio negócio."

No Brasil, a inflação, a desconfiança em relação à bolsa e as taxas de juros elevadíssimas afastaram, por muitas décadas, o investidor das ações. A estabilização dos índices de preços e a conseqüente queda dos juros, além de medidas institucionais para tornar mais seguras as aplicações em bolsa, convenceram muita gente a experimentar o mercado.

O problema é que a maioria entrou no ano passado, quando começaram a surgir os primeiros sinais de volatilidade, vindos especialmente dos Estados Unidos, onde estourou a crise das hipotecas de alto risco (subprime).

Ainda assim, em 2007, o Ibovespa valorizou mais de 43%. Neste ano, porém, a principal referência do mercado de ações do Brasil acumula queda de 9,79%. Somente em julho, a perda foi de 8,5%. O valor somado das ações brasileiras despencou R$ 438,5 bilhões entre os dias 30 de maio e 31 de julho.

Os dois principais papéis do País - Petrobras e Vale - refletem claramente a situação. As ações preferenciais (PN) da Petrobrás já despencaram 21,43% no ano e as ordinárias (ON), 19,04%. A Vale ON deslizava 24,6% até sexta-feira e a PNA, 23,58%. Isso significa que um investidor que aplicou R$ 10 mil em papéis PN da Petrobrás no último dia útil do ano passado levantaria R$ 7.857 se os tivesse vendido anteontem.

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