Patricia Souza. Tóquio, 3 out (EFE).- A Bolsa de Tóquio fechou hoje abaixo da barreira psicológica dos 11.

000 pontos, o pior nível em mais de três anos, e já acumulou perdas de quase 20% em 2008, devido à crise financeira internacional.

O índice Nikkei caiu 2% hoje e fechou a 10.938,14 pontos, encerrando uma semana desastrosa na qual acumulou perdas de quase 7%, com a recessão econômica no horizonte dos Estados Unidos e do Japão.

A segunda maior bolsa do mundo e a primeira da Ásia não fechava abaixo de 11.000 pontos desde 18 de maio de 2005.

Ficaram para trás os anos em que a Bolsa de Tóquio encadeou altas anuais de forma ininterrupta de 2002 até 2006, e o recorde de 18.261,98 pontos alcançado em 2007, ano que, no entanto, ficou marcado pela explosão da crise das hipotecas "subprime".

No início de 2007, as empresas japonesas viam pela frente lucros multimilionários e os investidores japoneses consideravam a idéia de que o Nikkei rompesse a barreira dos 19.000 pontos, mas o desfecho foi outro.

Desde 9 de agosto de 2007, data que se toma como referência da explosão da crise hipotecária nos Estados Unidos, o Nikkei acumulou queda de 36%, ou mais de 6.200 pontos.

As ações da Toyota, principal empresa japonesa e uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo, foram negociadas hoje ao nível mais baixo desde julho de 2005, em 4.050 ienes, enquanto também caíam os títulos das concorrentes Honda (-4,7%) e Nissan (-7,2%).

A crise das subprime afetou menos o Japão comparado a outros países, já que esta nação havia vivido sua "bolha" financeira e imobiliária no começo dos anos 90, e desde o início do novo século tinha começado a se recuperar.

Mas, no final, os efeitos da tempestade financeira internacional estão chegando gradativamente à segunda maior economia do mundo, o que evidenciou sua dependência das exportações, principalmente aos Estados Unidos, e vive agora em risco de recessão.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão contraiu 3% no segundo trimestre. Para o atual, espera-se também um resultado negativo, o que tecnicamente equivale a uma recessão.

As grandes empresas japonesas, voltadas para o setor externo, sentiram com força a queda da receita em dólares.

Se o dólar era cotado antes da crise em 119,19 ienes, a moeda americana era negociada hoje no mercado de divisas de Tóquio em 105,01 ienes, o que representa a redução do lucro dos gigantes japoneses da eletrônica e do setor automotivo, que não vendem mais como antes fora de suas fronteiras, principalmente nos Estados Unidos.

O Nikkei já tinha começado o ano de 2008 com uma forte queda de mais de 600 pontos, para 14.691,41, mas, desde então e até hoje, acumulou perdas de 18,35%.

Nos anos anteriores, até 2007, a tendência sempre havia sido ascendente: acabou 2002 em 8.578,95 pontos; 2003, em 10.676,64 pontos; 2004, em 11.488,76 pontos; 2005, em 16.111,43 pontos, e 2006, em 17.225,83 pontos.

A crise hipotecária nos Estados Unidos, no entanto, afetou o resultado do Nikkei no ano passado, quando o índice fechou a 15.307,78 pontos, uma queda de 10% em relação ao exercício anterior.

EFE psh/an

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