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Bolsa cai pelo 5º pregão e fecha em baixa de 6,5%

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operou no terreno negativo hoje durante todo o pregão e renovou as mínimas do dia já no fim da sessão, alinhando-se à deterioração das Bolsas nos Estados Unidos, que também fecharam em queda. O índice Bovespa encerrou as operações na mínima do dia, com queda de 6,50%, a 29.

Agência Estado |

435,11 pontos, no menor nível desde 28 de outubro de 2005. Foi a quinta baixa consecutiva, com o índice acumulando uma perda de 25,37% nesse período. Na máxima de hoje, o Ibovespa alcançou 31.480 pontos (-0,01%).

"De repente, acelerou a queda no índice americano Dow Jones e o Ibovespa acompanhou. Não houve defesa na chamada (call) de fechamento", relatou o diretor de uma corretora em São Paulo.

Diante da ausência de investidores estrangeiros e da retração dos investidores locais, bem como do afastamento de especuladores ao longo da sessão - em razão da falta de expectativa para o curto prazo - a Bovespa encerrou os negócios do dia com um volume pequeno, de apenas R$ 3,245 bilhões - o menor desde 1º de setembro, quando o feriado do Dia do Trabalho nos EUA reduziu o giro no pregão brasileiro para apenas R$ 1,998 bilhão.

O noticiário e o comportamento desde cedo nas principais praças financeiras internacionais não ajudaram a justificar uma melhora. No fim de semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou acordos de ajuda financeira com a Ucrânia e a Hungria, na esteira da Islândia na sexta-feira passada. Na madrugada, a Coréia do Sul anunciou o maior corte de juro de sua história, de 0,75 ponto porcentual, para 2,5% ao ano; e o Kuwait deu início a um programa para ajudar os bancos, depois de ser obrigado a garantir os depósitos da segunda maior instituição do país.

O dia amanheceu bastante ruim, com a Ásia novamente ladeira abaixo, movimento posteriormente acompanhado pela Europa. Logo cedo, o G-7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) alertou para os riscos da apreciação do iene, que ajudou a derrubar as ações na Bolsa de Tóquio. O Nikkei terminou na mínima em 26 anos depois, de cair mais de 6%. A Bolsa de Hong Kong fechou em queda superior a 12%. Na Europa, a jornada também foi negativa: a bolsa londrina caiu 0,79% e a parisiense cedeu 3,96%. Em Frankfurt, contudo, a bolsa encerrou a sessão com valorização de 0,91%.

Nos EUA, a semana começou com volatilidade nas bolsas americanas, que oscilaram entre os territórios positivo e negativo ao longo do dia. No noticiário, a inesperada elevação nas vendas de imóveis novos nos país em setembro. Após cair ao menor nível em 17 anos em agosto, as vendas subiram 2,7% no mês passado, para 464 mil unidades, surpreendendo os economistas que esperavam 455 mil unidades vendidas em setembro.

No encerramento, contudo, as bolsas no EUA "mergulharam". O Dow Jones registrou baixa de 2,42%; o S&P-500 caiu 3,18% e o Nasdaq 100 cedeu 2,97%.

Ações

A recuperação do petróleo, inclusive, foi o que ajudou a aliviar as perdas na Bovespa na parte da tarde, uma vez que amenizou o declínio das ações da Petrobras - um dos fatores que pressionaram o índice local em baixa, tendo em vista a participação significativa dos papéis na carteira do Ibovespa.

Mas o respiro da matéria-prima (commodity) não durou no mercado internacional, bem como o seu efeito benigno sobre o mercado brasileiro. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o contrato futuro do petróleo tipo WTI com vencimento em dezembro encerrou a US$ 63,22, em queda de 1,45%, no menor nível desde maio de 2007. Na Bovespa, a ação preferencial (PN) da Petrobras perdeu 11,23% e a ordinárias (ON) caiu 9,28%.

Outra pressão de baixa veio das ações da Vale e de algumas siderúrgicas. Apesar da alta nos preços dos metais, notícias e relatórios desfavoráveis no que diz respeito à demanda afetaram os papéis. A ação PN classe A (PNA) da Vale caiu 8,21% e a ON da mineradora recuou 9,39%. Entre as siderúrgicas listadas no Ibovespa, Gerdau PN declinou 8,78%, Usiminas desvalorizou-se 4,81% e CSN ON perdeu 3,96%.

O setor bancário também se destacou no noticiário hoje. Após o Unibanco antecipar seu resultado para a última sexta-feira, hoje foi a vez de o Itaú fazer o mesmo. O Bradesco também publicou seu balanço - mas conforme o cronograma já previsto. Além disso, o Banco Central anunciou mais uma medida a fim de prover liquidez ao sistema: anunciou a Circular 3.416 que prevê a redução do recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista para instituições financeiras que adiantarem contribuições mensais ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

As ações do setor sustentaram-se em território positivo na maior parte do dia, mas sucumbiram à piora nos minutos finais do pregão: Bradesco PN caiu 4,35%, Itaú PN encerrou estável, Banco do Brasil ON cedeu 8,24% (este papel já operara em baixa durante o dia) e Unibanco Unit caiu 2,10%. Porém, Nossa Caixa ON subiu 0,37%.

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