A sexta-feira foi marcada pela volatilidade no mercado acionário. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) trabalhou sem definição até o final, ora acompanhando a alta registrada com mais firmeza em Wall Street, ora em queda, embora em ambos os casos sem muito vigor.

Segundo operadores, a expectativa com o vencimento de opções sobre ações na próxima segunda-feira serviu para ampliar o sobe-e-desce natural dos últimos dias.

O índice Bovespa (Ibovespa) terminou o pregão em baixa de 0,35%, aos 39.015,37 pontos. Na semana, acumulou alta de 5,15%. No mês, o ganho do Ibovespa está em 2,18% e no acumulado do ano, 3,90%. Na mínima do dia, atingiu os 38.580 pontos (-1,46%) e, na máxima, os 39.707 pontos (+1,42%). O giro financeiro totalizou R$ 3,664 bilhões. Os dados são preliminares.

Segundo um profissional do mercado de renda variável, a Bovespa trabalhou dividida entre o noticiário da semana e o comportamento de suas principais ações. "O setor financeiro norte-americano acabou distorcendo para cima nos últimos dias, assim como empresas que tinham caindo muito (GM) e acompanharam", citou a fonte lembrando das altas dos índices norte-americanos na semana. Como o Ibovespa estava sendo comedido quando Wall Street renovava quedas, também não acompanhou com a mesma intensidade a recuperação nesta semana.

Hoje, as ações de empresas do setor varejista foram destaque no mercado doméstico, depois que o IBGE surpreendeu ao anunciar vendas do comércio acima das previsões. Em janeiro, as vendas subiram 1,4% na comparação com dezembro, na série com ajuste sazonal, enquanto o teto das previsões era de 0,3%. Na comparação anual, com janeiro do ano passado, a vendas aumentaram 6%, perto da melhor previsão, de 6,4%.

Junte-se aos dados do IBGE o corte de 1,5 ponto porcentual da taxa básica de juros (Selic) esta semana e o resultado foi a disparada das ações das varejistas. O desempenho melhor do que o esperado da Lojas Americanas também contribuiu. As ações preferenciais (PN) desta empresa lideraram os ganhos do índice Bovespa ao subirem 6,68% hoje. A companhia registrou lucro líquido de R$ 105,8 milhões no quarto trimestre do ano passado, acima dos R$ 66,1 milhões previstos pelos analistas ouvidos pela Agência Estado.

Lojas Renner ON (ações ordinárias) foi a terceira maior alta do Ibovespa, com 3,62%, Pão de Açúcar subiu 1,41%%, Perdigão ON, 2,44%. Sadia PN foi a segunda maior elevação do índice, com 5,68%, mas sobre a ação ainda recaíram outras explicações, no caso, a volta dos rumores sobre a troca do controle da companhia.

Mas como o setor de consumo não tem muito peso no Ibovespa, Petrobras e Vale comandaram o rumo. Com aquisição de estrangeiros, e na contramão do petróleo, as ações da estatal registraram hoje seu quinto pregão seguido de elevação. Vale, ao contrário, não se beneficiou das declarações do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que levaram os preços das commodities metálicas para cima. Wen Jiabao disse que o seu país pode crescer 8% em 2009 e que, se necessário, poderá adotar um novo pacote de estímulo.

Vale ON recuou 2,65% e PNA, -1,85%. Segundo um operador, as notícias sobre a possibilidade de um corte de 50% nos preços para a venda do minério de ferro nas negociações em andamento neste ano estariam ainda ecoando negativamente sobre os papéis.

Petrobras ON avançou 0,29% e PN, 0,54%, com menor vigor no final. Hoje, a estatal informou ter assinado no último dia 28 de janeiro um memorando de entendimento com a japonesa Marubeni Corporation em relação ao estudo em conjunto para o projeto da refinaria Premium 1 no Estado do Maranhão. O contrato do petróleo negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) recuou 1,66% e terminou cotado a US$ 46,25.

Nos Estados Unidos, o oba-oba com o setor financeiro diminuiu de intensidade, com os investidores hoje voltados para compras em setores tradicionalmente defensivos, como ações de empresas de saúde e de prestação de serviços públicos. O Dow Jones terminou o dia em alta de 0,75%, a 7.223,98 pontos, o S&P 500 de 0,77%, aos 756,55 pontos, e o Nasdaq, 0,38%, a 1.431,50 pontos. Circulou no mercado norte-americano hoje rumor de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode sinalizar a compra de títulos de dívida em sua reunião de política monetária na próxima quarta-feira, após uma operação bem-sucedida feita pelo Banco da Inglaterra nesta semana.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.