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O que era dado como quase certo ontem virou, de novo, uma grande incerteza hoje e o mercado trocou de sinal. Os índices futuros das Bolsas de Nova York operam em baixa de cerca de 2%, mesmo porcentual de queda apresentado pelas principais bolsas européias.

Às 10h11 (de Brasília), o índice Bovespa recuava 3,02%, a 50.263, na mínima do dia até o momento. No mesmo horário, o índice futuro do Nasdaq 100 cedia 2,14%, enquanto o futuro do S&P 500 recuava 1,66%. Na Europa, a Bolsa de Londres registrava perdas de 2,22% e a de Frankfurt tinha queda de 1,72%.

O suspense em torno do pacote de socorro financeiro de US$ 700 bilhões nos Estados Unidos voltou a pesar e, para completar, o mercado amanheceu com a notícia da falência da maior instituição de poupança do país, o Washington Mutual, vendida para o JPMorgan por US$ 1,9 bilhão. Essa é a maior quebra do setor financeiro na história dos EUA. Na Europa, o banco belgo-holandês Fortis está tendo de explicar-se aos investidores sobre especulações sobre sua solvência, depois de suas ações amargarem perdas superiores a 9% mais cedo.

As bolsas globais aceleraram a baixa após o resultado final do Produto Interno Bruto (PIB) americano do segundo trimestre. A economia cresceu menos do que o esperado. Segundo a revisão final do dado, divulgada pelo Departamento do Comércio americano, o PIB dos EUA cresceu à taxa anualizada de 2,8% no segundo trimestre deste ano, de expansão de 3,3% calculada anteriormente. No primeiro trimestre, o PIB cresceu 0,9%.

Bovespa

A Bolsa brasileira também é contaminada não apenas pelo exterior ruim, mas também pelo noticiário corporativo doméstico. Ontem, após o fechamento do mercado, a Sadia informou perdas de R$ 760 milhões ao tentar liquidar antecipadamente operações financeiras no mercado de câmbio. E a Aracruz anunciou hoje cedo que seu
volume de perda com câmbio futuro pode ter excedido limites, mas não informou o valor, que será apurado por uma empresa contratada especialmente para isso.

Em teleconferência realizada esta manhã, a Sadia informou que após as perdas financeira vai rever os investimentos e que a alavancagem vai superar o limite de duas vezes. Além disso, anunciou que obteve crédito de R$ 1,6 bilhão para compensar a perda financeira. A Saída demitiu o diretor de Finanças e Desenvolvimento Corporativo da companhia, Adriano Lima Ferreira. E a Aracruz informou que o diretor financeiro e de Relações com Investidores, Isac Zagury, apresentou pedido de licença do cargo.

Segundo analistas, a notícias sobre as perdas da Sadia e da Aracruz gera ainda mais incertezas num ambiente de forte aversão ao risco, mas acrescentam que não dá para extrapolar esse procedimentos inadequados para outras empresas. "É preciso analisar com cuidado o que está acontecendo", disse um gestor de renda variável. Mas o medo de que outras companhias brasileiras possam também apresentar perdas financeiras contamina o ambiente esta manhã. E pode ser uma das justificativas para a queda maior do Ibovespa.

Além disso, as ações da Vale devem ser influenciada pela notícia de que a China vai interromper as importações de minério de ferro da mineradora no curto prazo, informou o jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal.

Ainda no horário citado acima, as ações preferenciais (PN) da Sadia e da Aracruz estão em leilão, enquanto os papéis PN classe A (PNA) da Vale caíam 3,32%.