LA PAZ (Reuters) - Manifestantes invadiram uma estação de gás no sudeste da Bolívia sem conseguir cortar a exportação de gás natural para o Brasil, em um endurecimento dos protestos da oposição regional contra o governo esquerdista do presidente Evo Morales. A tentativa de sabotagem ao fornecimento de gás para o país coincidiu com uma onda de invasões de prédios públicos nos quatro distritos dominados pela oposição no leste da Bolívia. Os quatro departamentos iniciaram processos de autonomia, em meio a uma tentativa de reforma constitucional socialista incentivada por Morales.

A Superintendência de Hidrocarbonetos informou que a tomada da estação intermediária de um gasoduto operado por um consórcio de companhias estrangeiras ocorreu perto da cidade de Villamontes, a 900 quilômetros ao sudeste de La Paz, na região do Chaco, região de procedência de todo o gás boliviano para a exportação.

'Os manifestantes não conseguiram fechar as válvulas pois acredito que se deram conta que isso poderia ser um risco para suas próprias vidas', disse a jornalistas Leonardo Chiquié, diretor-jurídico da superintendência.

Chiquié acrescentou que uma informação preliminar dos operadores do gasoduto, que conecta os campos do Chaco com os gasodutos internacionais, indicou que as exportações para Argentina e Brasil 'não sofreram alteração'.

O Ministério de Minas e Energia do Brasil informou que está monitorando a crise boliviana, mas que até o momento o fornecimento de gás da Bolívia está normal.

(Carlos Alberto Quiroga)

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