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Bolívia tenta vender à Argentina gás que Brasil não comprará

SÃO PAULO - Uma delegação do governo da Bolívia se reúne hoje em Brasília com o ministro de Energia, Edson Lobão, para discutir a decisão brasileira de reduzir temporariamente a importação de gás do país vizinho. Na avaliação de um especialista em energia da Bolívia, a redução poderá representar uma queda de US$ 55 milhões por mês na receita de La Paz com exportações de gás.

Valor Online |

Haverá um impacto também na receita das empresas que produzem o gás, inclusive a Petrobras.

" Para a Bolívia, isso significa complicações e problemas, já que a receita cairá e não se pode deixar de produzir volumes importantes " , disse o ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Saúl Ávalos, segundo o site do jornal " La Razón " . " O que vamos fazer com esse gás? " , acrescentou. Além de Ávalos, fazem parte da comitiva oficial boliviana os ministros da Defesa e dos Interesses de Estado, Héctor Arce, e do Planejamento e Desenvolvimento, Carlos Villegas.

Em 2008, o Brasil comprou em média de 30 milhões de metros cúbicos (m3) por dia da Bolívia (que produz 41 milhões de m3/dia). O gasoduto Brasil-Bolívia pode transportar até 31 milhões de m3 por dia. Na quarta, Lobão anunciou que as importações cairão para 19 milhões de m3 diários, que é a média mínima mensal prevista no contrato. A diminuição é possível porque os reservatórios brasileiros estão cheios, o que permite o desligamento das térmicas a gás.

" Se isso durar muito tempo, haverá um sério efeito em cadeia nas contas do governo, afetando também os volume de recursos transferidos para as regiões produtoras de gás " , disse ontem uma fonte do setor energético da Bolívia, que pediu para não ter seu nome publicado. Ele fez um cálculo aproximado sobre quanto a Bolívia deixará de receber. Em 2008, disse ao Valor, a receita da Bolívia com exportações de gás para o Brasil foi de cerca de US$ 2 bilhões, ou US$ 166 milhões por mês em média. Com a redução de 36,6% do consumo brasileiro, a Bolívia pode deixar de receber cerca de US$ 55 milhões por mês.

Uma opção para La Paz seria aumentar as vendas para a Argentina, que comprou uma média de 2,3 milhões de metros3/dia de gás boliviano em 2008, volume abaixo da capacidade de um gasoduto que liga os dois países. Mas no verão o consumo argentino costuma não ser muito alto, devido às férias no país. Ricardo Pinto, gerente técnico da Gás Energy, lembra que a Argentina pode aumentar importações de gás para revender ao mercado chileno. Ontem, o vice-ministro de Planejamento da Bolívia, Miguel Gemio, estava na Argentina para tratar do gás.

A redução das importações brasileiras ocorre num momento em que o preço do gás boliviano sofre uma redução de 29,8%, segundo a consultoria Gás Energy. Isso porque a fórmula em contrato prevê o reajuste do gás com base numa cesta de óleos em dólar considerando preços diferenciados. Para volumes até 16 milhões de m3 o preço é menor (US$ 5,43). Acima disso e até 30 milhões de m3, o valor aumenta para US$ 6,52 por milhão de BTU. Como a Petrobras reduziu os volumes, o novo preço médio no primeiro trimestre é de US$ 5,60 por milhão de BTU, já considerando compras de 19 milhões de m3/dia. Pinto diz que seria possível gerar cerca de 2,5 mil megawatts de energia com os 11 milhões de m3/dia de gás que o Brasil deixará de comprar. O próximo reajuste será em abril.

(Marcos de Moura e Souza e Cláudia Schüffner | Valor Econômico)

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