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Bolívia restabelece envio da maior parte do gás ao Brasil

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O operador do principal gasoduto da Bolívia afirmou que restabeleceu às 15h (horário de Brasília) a maior parte do envio de gás ao Brasil que havia sido suspenso nesta quinta-feira, em meio a um dia caótico no país com violentas manifestações contra os planos socialistas do governo.

Reuters |

O fornecimento de gás ao Brasil foi suspenso por mais de sete horas devido a um atentado contra uma estação de bombeamento, que obrigou o consórcio operador do principal gasoduto interno do país, que inclui Petrobras, a francesa Total e a espanhola Repsol, a reduzir à metade o envio do produto.

'Os técnicos conseguiram resolver o problema em uma válvula de medição, em uma estação de bombeamento, que tinha sido bloqueada como consequência de uma manipulação incorreta de pessoas que tentaram fechá-la', disse à Reuters Hugo Muñoz, porta-voz da Transierra, empresa que opera o duto.

Ele explicou que a Transierra retomou o bombeamento para o Brasil a um ritmo de até 14 milhões de metros cúbicos diários.

Esse gasoduto é destinado exclusivamente a atender o mercado brasileiro.

Continua suspenso o bombeamento de outros 3 milhões de metros cúbicos procedentes de um campo cuja rede de transporte foi abalada por uma explosão na quarta-feira, atribuída pelo governo a manifestantes opositores.

O fornecimento de gás da Bolívia para o Brasil gira entre 30 e 31 milhões de metros cúbicos diários, cerca da metade da demanda total brasileira.

Entretanto, a Bolívia suspendeu a partir do meio-dia desta quinta-feira a exportação de gás para a Argentina, devido à invasão de uma estação do gasoduto binacional na fronteira, segundo fontes da petrolífera estatal YPFB.

O corte afeta ao menos 1 milhão de metros cúbicos diários de gás que a Bolívia exportava para o país vizinho, segundo o porta-voz da estatal.

'O duto foi fechado por motivos de segurança por técnicos da YPFB, depois que manifestantes (antigoverno) tomaram a estação de bombeamento da cidade de Yacuiba', disse a fonte.

O gás é a principal fonte de renda da Bolívia.

CHOQUES

As manifestações já deixaram ao menos três mortos e dezenas de feridos. O presidente Evo Morales, que pretende pôr em vigência uma nova Constituição indigenista-socialista no ano que vem, advertiu que poderá deixar de escutar os pedidos de prudência ante o que descreveu como 'atos de delinquências financiados por fazendeiros do leste'.

Os choques desta quinta-feira em terras onde os líderes reclamam autonomia aconteceram um dia depois de Morales ordenar a expulsão do embaixador dos Estados Unidos por considerar que, junto com a oposição conservadora, trama um golpe de Estado para derrubá-lo.

Os protestos são impulsionados pelos governadores de oposição do distrito de Santa Cruz e de outros três departamentos, que acusam o presidente de querer converter a Bolívia em uma nova Cuba.

Eles se intensificaram há um mês, depois de Morales ter sido ratificado em uma consulta popular e decidido acelerar o processo de reforma constitucional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para Morales nesta quinta e decidiu enviar uma delegação para intermediar o conflito no país, disse à Reuters um ministro do governo brasileiro. [ID:nN11432892]

Acompanham o Brasil na missão representantes de Argentina e Colômbia, que integram o Grupo de Amigos da Bolívia.

Em Brasília, o ministro da Fazenda boliviano, Luis Alberto Arce, afirmou que o governo do país vai reforçar a presença militar nas áreas de produção de gás e petróleo para evitar novos danos às instalações e prejuízos às exportações.

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'O governo está reforçando a militarização nos campos petroleiros e outros pontos suscetíveis a atos terroristas', afirmou Arce a jornalistas em Brasília, onde o ministro se encontra para negociar acordos bilaterais com autoridades brasileiras.

'As Forças Armadas estão retomando o controle de algumas localidades na fronteira com o Brasil', acrescentou Arce.

O ministro mandou um alerta para os manifestantes de oposição, que enfrentam tropas do governo e na quarta-feira tomaram algumas instalações governamentais, como escritórios da Receita Federal.

'Que eles sentem para dialogar antes de buscar a violência e a morte. Não se trata de uma guerra civil.'

(Com reportagem adicional de Ray Collit e Natuza Nery em Brasília)

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