La Paz, 12 set (EFE) - O Governo da Bolívia acusou hoje o Peru e a Colômbia de ter dado por encerradas de forma unilateral as negociações entre a Comunidade Andina (CAN) e a União Européia (UE), a fim de negociar individualmente com os europeus.

O chanceler boliviano, David Choquehuanca, afirmou hoje em entrevista coletiva que os presidentes Alan García, do Peru, e Álvaro Uribe, da Colômbia, enviaram separadamente cartas idênticas à Comissão Européia (CE) dando por concluída esta negociação sem consultar a Bolívia e o Equador, que também fazem parte da CAN.

Até agora, os Governos da Colômbia e do Peru não confirmaram que tomaram esta decisão ou enviaram tais mensagens.

No entanto, Choquehuanca disse que o Governo de Evo Morales "lamenta profundamente" que o Peru e a Colômbia não tenham informado antes desta decisão aos colegas da CAN e entende que a pretensão dos países é negociar com a UE tratados de livre-comércio bilaterais com cada um deles.

O ministro disse que a Chancelaria da Bolívia soube "extra-oficialmente" do conteúdo das supostas cartas enviadas à UE por García e Uribe.

Nessas mensagens, segundo disse Choquehuanca, estes presidentes dizem que as "distintas visões" dos países andinos impediram que "prospere a negociação bloco a bloco".

Eles também invocam uma decisão da CAN que autoriza os Estados-membros a negociar de maneira independente com terceiros países, sempre que se preserve a ordem jurídica andina.

Choquehuanca afirmou que as equipes de negociação do Peru e da Colômbia "nunca apostaram verdadeiramente em uma negociação bloco a bloco com a UE" e acusou estes países de "travar" as conversas com a Europa "para forçar" uma negociação bilateral.

"A Bolívia lamenta mais uma vez que, de maneira unilateral, se anteponham as negociações de tratados de livre-comércio em desmérito do processo de integração andino", disse o chanceler.

A Comunidade Andina (CAN) negocia um Acordo de Associação com a UE desde 2007, mas as conversas foram suspensas temporariamente pelos europeus devido a divergências entre os sul-americanos.

O acordo tem três pilares: o político, o comercial e o de cooperação, mas as negociações foram difíceis, já que o Peru e a Bolívia querem concretizá-lo o mais rápido possível, mas Equador e Bolívia, principalmente, são mais reticentes à liberalização. EFE sam/db

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