O Banco do Japão (BOJ, banco central japonês) manteve sua taxa básica de juros e detalhou seus planos para ajudar as finanças das empresas, mas reduziu as projeções para o crescimento da economia e para os preços. A redução foi tão forte que levantou a perspectiva de uma deflação.

O comitê de política monetária do banco central aprovou por unanimidade a manutenção da taxa básica ("overnight call loan rate") em 0,10%. A taxa havia sofrido um corte de 0,2 ponto porcentual no mês passado.

O conselho orientou a equipe do banco a estudar formas de comprar os bônus corporativos que vencem em menos de um ano; anunciou que até o fim do ano fiscal, que se encerra em março, comprará até 3 trilhões de ienes (US$ 33,64 bilhões) de commercial papers e títulos lastreados em ativos; e adotou um escalonamento para a compra direta de títulos do governo, segundo o prazo de vencimento desses papéis.

Ao mesmo tempo, o conselho revisou para baixo suas estimativas de crescimento do PIB e para a inflação no próximo ano fiscal. As projeções anteriores haviam sido feitas no relatório semestral de outubro. Para o PIB, o banco central agora projeta uma queda de 1,8% neste ano fiscal - contra um crescimento de 0,1% previsto anteriormente - e de 2% no ano fiscal de 2009, ante uma expansão de 0,6% estimada em outubro passado. O PIB japonês, segundo as previsões do BOJ, deve voltar a crescer apenas no ano fiscal de 2010, quando o banco central espera uma expansão de 1,5%.

As expectativas para a inflação também foram profundamente reduzidas, especialmente para o ano fiscal de 2009, quando o BOJ agora prevê que o índice de preços ao consumidor (excluindo alimentos frescos) cairá em 1,1%, contra a projeção, feita em outubro, de que os preços ficariam estáveis. Para 2010, o índice deve recuar 0,4%, ante uma estimativa anterior de aumento de 0,3%.
"O BOJ está mostrando o risco de uma espiral deflacionária no Japão", disse a estrategista Naomi Hasegawa, da corretora Mitsubishi UFJ Securities. As informações são da Dow Jones.

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