A ameaça da Associação Chinesa de Ferro e Aço (Cisa, na sigla em inglês) de boicotar a compra de minério de ferro da Vale, da Rio Tinto e da BHP por dois meses foi recebida com ceticismo por analistas do setor e pela própria imprensa oficial chinesa. Apesar de formalmente representá-las, a entidade tem pouca influência sobre a operação dos negócios das siderúrgicas do país.

A ameaça da Associação Chinesa de Ferro e Aço (Cisa, na sigla em inglês) de boicotar a compra de minério de ferro da Vale, da Rio Tinto e da BHP por dois meses foi recebida com ceticismo por analistas do setor e pela própria imprensa oficial chinesa. Apesar de formalmente representá-las, a entidade tem pouca influência sobre a operação dos negócios das siderúrgicas do país. Além disso, ela ficou desmoralizada em razão da maneira inábil com que conduziu as negociações para a definição do preço do minério de ferro no ano passado, que terminaram sem acordo, o que obrigou as empresas locais a pagarem mais caro pelo produto no mercado spot. Hu Kai, analista da Umetal, disse que não interpretou as palavras do secretário-geral da Cisa, Shan Shanghua, como uma proposta de boicote. Mas, ainda que fosse, as fabricantes de aço não acatariam a determinação, afirmou. "Essas siderúrgicas são empresas, e não departamentos do governo." O jornal oficial China Daily, editado pelo Conselho de Estado, publicou reportagem segundo a qual a diversificação dos fornecedores seria um caminho mais eficaz que o boicote para a contenção do preço do minério. Em reunião realizada na sexta-feira para discutir a regulamentação do mercado de importação de minério de ferro, Shan ressaltou que os estoques chineses do produto estão em 75 milhões de toneladas, o que seria suficiente para atender à demanda local por dois meses. Reação. As declarações foram uma reação à proposta das mineradoras de reajuste de quase 100% no preço do produto. Com um ritmo de crescimento anual próximo de 10% e um massivo processo de urbanização, a China demanda quantidades crescentes de aço para o setor de construção e a fabricação de bens duráveis, como carros. Na semana passada, a Vale fechou com a japonesa Nippon Steel contrato que prevê reajuste de 97% em relação à cotação do ano passado. A empresa brasileira também abandonou o mecanismo de acordos anuais com seus clientes e o substituiu por um sistema de reajustes trimestrais, com base na cotação média do produto no mercado à vista nos três meses anteriores. Se deixarem de comprar minério de ferro por dois meses, as siderúrgicas chinesas correm o risco de pagar ainda mais caro no fim desse período, disse o dirigente de uma fabricante de aço da província de Hebei ao China Daily. Segundo ele, caso houvesse o boicote, as siderúrgicas iriam negociar individualmente com as mineradoras.
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