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BNDES vai virar sócio de construtoras

O pacote de medidas de ajuda do governo ao setor da construção civil envolverá o BNDES e a Caixa, num aporte conjunto de recursos para capitalização das construtoras. A Caixa lançará linha de crédito especial voltada a capital de giro; o BNDES subscreverá debêntures e participará do capital de empresas com ações negociadas na Bolsa de Valores.

Agência Estado |

O governo ainda não bateu o martelo em torno do valor do pacote, que pode ir de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões, para desembolso imediato. As medidas, delineadas há uma semana, aguardam a aprovação dos ministérios do Planejamento e da Fazenda e aval do presidente Lula. Se o sinal verde for dado hoje, as medidas serão anunciadas na abertura do 80º Encontro Nacional da Indústria da Construção, em São Luiz (MA). No encontro, Lula será representado pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Caixa e BNDES devem dividir meio a meio o ônus financeiro do programa. Segundo fontes ligadas às negociações, o objetivo do programa, além de permitir a conclusão de empreendimentos imobiliários já iniciados, é facilitar fusões e aquisições. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) há em torno de 100 mil construtoras no País, dos mais variados portes. Apenas 25 são listadas em Bolsa.

A participação do BNDES se restringiria às companhias de capital aberto, com limite de participação acionária. Seria uma linha também de capital de giro, mas por meio de debêntures conversíveis em ações. Na modelagem, há cláusulas que definem a saída do banco e também proteções para evitar conversão em época de desvalorização dos papéis, como a atual.

O banco não quer ser acionista de construtoras e muito menos ter participação relevante no capital, dizem fontes que participaram da formatação das medidas. O papel do BNDES será o de fortalecer as empresas para a transição entre a crise e a normalidade de mercado, evitando quebradeira no setor.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady, se diz surpreso com as propostas. Há cerca de um mês ele participa das negociações de um pacote de ajuda ao setor e em nenhum momento foi discutido a participação acionária do governo nas empresas. "Essas não eram medidas que estávamos tratando com o governo. Não parece que seja o caminho correto."

Até o último encontro do executivo com a equipe do governo, na semana passada, o que se discutia era a criação de linhas de crédito de longo prazo do BNDES, com base na TJLP. "Não digo que é bom ou ruim. Só que não negociamos isso. Mas vamos aguardar o anúncio do governo", disse Safady.

Para o presidente do Sinduscon-SP, Sergio Watanabe, a participação do governo nas construtoras não seria um absurdo. Mas ponderou que há outras soluções de mercado antes dessa medida. "Se o governo liberar linhas de crédito, o setor se ajusta.", afirmou ele, que considerou positivo o interesse pelo setor. "Se nada fosse feito, poderia haver algum problema pontual na entrega dos empreendimentos."

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