O governo federal está acertando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma linha de crédito para ajudar fornecedores de equipamentos do setor sucroalcooleiro. A informação foi dada ontem pelo ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, após participar da 1ª Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, iniciada ontem em São Paulo.

Segundo informações de representantes do setor, trata-se de uma linha direta para financiar os fabricantes no valor de R$ 850 milhões. Além disso, essas empresas também estão negociando com o banco de fomento uma forma de acelerar a liberação de recursos referente a projetos já aprovados.

O objetivo é amenizar os efeitos provocados pela crise mundial, que secou o mercado de crédito no País e pôs alguns usineiros em situação delicada a ponto de atrasar seus compromissos. Em outubro, o índice de inadimplência do setor com os fabricantes de equipamentos estava em 30%, segundo o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroalcooleiro e Energético (Ceise).

Os usineiros, no entanto, não deverão contar com um pacote específico de ajuda. Foi o que sinalizou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que representou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura da conferência ao lado de outros três ministros: Miguel Jorge, Edson Lobão (de Minas e Energia) e Reinold Stephanes (da Agricultura).

Segundo ela, o setor já foi contemplado no pacote de R$ 10 bilhões que o governo fez para elevar a liquidez de grandes empresas via BNDES no início do mês. "A situação do setor foi um dos fatores considerados pelo governo para formatar o pacote." O presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Marcos Jank, admite que houve melhora na liberação de recursos. Mas está longe do ideal.

Segundo ele, algumas empresas estão com grandes dificuldades. "A crise pegou o setor num momento complicado, de entressafra e investimentos elevados." Jank acredita que a turbulência vai antecipar um processo inevitável: a concentração. O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, completou: "Muita gente parou de investir de olho nas oportunidades de compra que virão pela frente."

Dilma também vê oportunidades de negócios no setor nesse momento. "Já vemos EUA e União Européia falando da importância de investir em algumas áreas, como a produção de combustíveis verdes. Isso tem sido cogitado inclusive para recuperar a indústria automobilística americana."

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