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BNDES reacende polêmica sobre apoio a empresas com perdas

RIO (Reuters) - O diretor do BNDES João Carlos Ferraz reacendeu nesta quinta-feira a polêmica sobre o apoio do banco a empresas com perdas cambiais. Ele admitiu a possibilidade de ajuda a companhias que apostaram em derivativos desde que o prejuízo com essas operações afetem o cronograma de investimento dessas empresas. Na semana passada, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, cogitou a ajuda a empresas afetadas pela operação, mas foi desmentido esta semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Reuters |

Segundo Ferraz, o banco pode analisar a ajuda a essas empresas depois de elas resolverem seus problemas causados pela aposta em derivativos cambiais.

"Se os projetos (de investimento) forem comprometidos nós vamos estudar corretamente cada caso", disse Ferraz a jornalistas após participar de um seminário no Ipea.

"Vamos discutir o caso dessas empresas à luz de seus projetos de investimento, à luz da sua situação", acrescentou o executivo, que cobrou responsabilidade das empresas que apostaram na desvalorização do dólar.

"As empresas que tomaram decisões com relação a investir o seu caixa no câmbio tomaram decisões e devem arcar com isso. Devem ter responsabilidade sobre isso", afirmou.

Ele não citou os nomes das empresas que tiveram problemas com derivativos cambiais, mas sabe-se que companhias como Aracruz e Sadia, que tiveram perdas com a alta do dólar, têm uma carteira de investimentos vinculada a financiamentos do

BNDES.

A possibilidade de antecipação de recursos para as empresas sinalizada por Coutinho também foi cogitada por Ferraz, "para um calendário de investimento".

O executivo disse que o banco vai enviar missões à China, Índia, África do Sul e América Latina para acompanhar de perto os efeitos da crise financeira mundial sobre a economia real.

"Queremos medir de perto a pulsação da economia desses países", disse Ferraz, que adiantou que não há sinais de impacto da crise sobre a demanda por financiamento do BNDES.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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