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O valor é 10,39% superior ao valor registrado no estudo feito pelo BNDES em 2008, antes da crise mundial

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, revelou nesta segunda-feira que os investimentos já mapeados pelo banco até 2014 vão somar R$ 850 bilhões. A cifra é 10,39% superior ao valor registrado no estudo feito pelo BNDES em 2008, antes da crise. Na época, o BNDES previa que os projetos programados para 2010 a 2014 atingiriam R$ 770 bilhões.

Segundo ele, já é possível notar um aumento nos investimentos do setor de petróleo e gás e naqueles voltados para o mercado interno. Mas a novidade, segundo ele, é uma recuperação nos investimentos voltados ao mercado internacional. Coutinho acredita que o maior vigor se deve à elevação nos preços das commodities (matérias-primas) no mercado internacional. Ele destaca ainda o crescimento das exportações brasileiras para a Ásia.

"Os projetos já mapeados mostram um crescimento anual de pelo menos 10% nos investimentos para os próximos anos", afirmou Coutinho, que participou hoje de um seminário sobre infraestrutura no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

O presidente do BNDES informou ainda que os investimentos em infraestrutura levantados pelo estudo concluído em abril apontam para um incremento de cerca de R$ 40 bilhões frente ao estudo realizado em agosto de 2008, antes da crise internacional. O valor subiu de R$ 273 bilhões para R$ 310 bilhões, para o período que vai de 2010 a 2014.

Grécia

Coutinho afirmou ainda que a crise da Grécia pode ter um efeito benéfico para o Brasil, de frear o crescimento excessivo da economia. "Neste ano, o problema é crescer demais e ultrapassar a barreira de 6%. Isso aqueceria demais (a economia), o que não é bom", disse.

Segundo ele, a crise na Grécia será superada e não há motivos para que o BNDES adote medidas de injeção de liquidez na economia, como as anunciadas durante a crise financeira internacional de 2008. Coutinho classificou como positivas as medidas adotadas pela União Europeia para conter os efeitos da crise na região.

As medidas, de acordo com ele, representam uma mudança de postura no Banco Central Europeu (BCE), que além de dar liquidez às economias com as compras de títulos de dívida pública de países da União Europeia abre uma janela ao aceitar a compra de títulos privados de empresas com investment grade (grau de investimento).

Para Coutinho, esta postura mais agressiva vai evitar qualquer perspectiva de contaminação da crise grega para outros países da União Europeia.

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