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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, previu hoje que a economia brasileira crescerá, em média, 5% de 2009 a 2012. A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) deve ficar abaixo da média no ano que vem, porém mais para 4% do que para 3,5%, disse ele em entrevista coletiva à imprensa após participar de evento de moda no Rio.

O executivo informou que o BNDES está revendo o seu mapeamento de investimentos, já realizado para o período de 2008 a 2011, para 2009 a 2012. De acordo com ele, o banco já constatou que os investimentos em infra-estrutura vão se manter. "Não sentimos nenhum cancelamento ou postergação de projetos para infra-estrutura. Isso garante um piso de crescimento para a economia brasileira", disse. No período de 2008 a 2011, o mapeamento do BNDES foi de investimentos de R$ 304 bilhões para infra-estrutura.

Coutinho informou que o banco ainda está avaliando como ficarão os setores exportadores em função da queda de preço internacional das matérias-primas (commodities) e da contração dos mercados dos países desenvolvidos nos próximos dois anos. "No caso da indústria, alguns segmentos podem ser afetados", afirmou.

Segundo o presidente do BNDES, o investimento em geral vai sofrer algum efeito da crise, mas não se deve imaginar que vai cair. O investimento, afirmou, "vai continuar firme, a uma velocidade mais baixa". Ele informou que o banco não quer que o encarecimento do crédito no momento se propague para tarifas. Por isso, o BNDES está considerando conceder empréstimos-ponte, geralmente dados pelo mercado, para os setores de infra-estrutura, principalmente para o período logo após a realização de leilões e antes da liberação dos contratos normais do banco. "Se transitoriamente estiver complicado, vamos ajudar", emendou.

Ele disse ainda que o mercado interno deve compensar pelo menos em parte uma desaceleração das exportações. "É difícil saber se podemos compensar plenamente, mas conseguimos compensar uma parte e evitar que os efeitos de transmissão para a economia doméstica se propaguem de forma desorganizadora para o crescimento", afirmou. Para Coutinho, "haverá uma resistência do crescimento em um patamar mínimo que assegure geração de emprego".

Ele afirmou ainda que os organismos multilaterais devem ajudar as economias em desenvolvimento, tanto as mais frágeis quanto as mais fortes. No caso do Brasil, "estou falando do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, da KFW (banco de desenvolvimento alemão), e do JBIC (Banco Japonês para Cooperação Internacional, na sigla em inglês)". Segundo Coutinho, essas instituições podem ajudar o BNDES no ano que vem "talvez em intensidade um pouco maior".