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Principal fonte de financiamento doméstico ao setor produtivo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá receber novos aportes financeiros do governo para garantir a manutenção dos planos de investimento dos projetos empresariais já aprovados pelo banco, independente da crise no mercado financeiro mundial. O presidente da instituição, Luciano Coutinho, passou os últimos dias em Brasília, em negociações com a cúpula do governo, para assegurar o apoio financeiro.

Coutinho recebeu o aval do governo para eventuais reforços de caixa, "se necessário". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia assinado, em 29 de agosto, Medida Provisória autorizando o Tesouro a liberar R$ 15 bilhões para que o banco possa atender à demanda por financiamentos. Mesmo antes do agravamento da crise de crédito, o BNDES vinha encontrando dificuldades em acompanhar o ritmo da demanda por empréstimos empresariais.

Outro reforço financeiro está sendo negociado, para a liberação de R$ 7 bilhões do Fundo de Investimentos (FI) em infra-estrutura do FGTS. O acordo está em fase de conclusão, mas o montante poderá ser ampliado. As últimas estimativas feitas pelo banco apontavam para um volume de desembolsos recorde este ano, de R$ 84 bilhões. No mês passado, o ritmo de aprovações foi muito superior ao de desembolsos, porque o banco foi obrigado, segundo fontes, a postergar a liberação de recursos para alguns projetos.

Apesar disso, Coutinho - que retornou hoje ao Rio e amanhã deve falar publicamente sobre os reflexos da crise internacional no desempenho interno - afirma que o clima no BNDES é de "tranqüilidade e confiança". "O BNDES está líquido. E poderá receber ainda mais apoio para continuar garantindo o suporte necessário para que planos de investimento em curso não sejam afetados", diz o executivo.

Os R$ 23 bilhões já engatilhados junto ao governo serão suficientes para garantir, nos próximos meses, a manutenção das atividades do banco sem maiores sobressaltos. A despeito da retomada de alta da taxa básica de juros (Selic), o Comitê de Política Monetária (Copom), vem mantendo inalterada a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada como referência para os empréstimos do banco, desde julho de 2007.

Estacionada em 6,25% ao ano, a TJLP estará novamente na pauta do Conselho Monetário Nacional (CMN), para o trimestre de outubro a dezembro. A direção do BNDES vem se esforçando junto à equipe econômica para manter o patamar da taxa, o que contribui para reduzir as incertezas do setor produtivo em relação a fontes de financiamento. Mas, sozinho o BNDES não deve dar conta de atender a toda a demanda empresarial.

Bovespa

A saída de capitais da Bovespa como reflexo da crise externa é uma conseqüência da grande quantidade de investimento estrangeiro na bolsa brasileira que entrou nos últimos anos, segundo o superintendente da Área de Pesquisas Econômicas do BNDES Ernani Torres Filho. De acordo com ele, cerca de 85% do capital dos lançamentos primários de ações na Bovespa nos últimos anos, os chamados IPOs, vieram de investidores estrangeiros.

As conseqüências da crise, porém, podem atingir a economia real no Brasil na forma de redução do ritmo de crescimento. "Se o mundo for abaixo e a economia mundial continuar desacelerando, a gente vai ser impactado. A crise americana não é mais só americana, ela atingiu o cerne do sistema financeiro. Os bancos americanos são os grandes bancos do mundo", disse.

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