As quatro metas da Política Industrial estipuladas há dois anos não serão cumpridas este ano. Foi o que ouviu ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, no Rio, para um balanço das medidas implementadas pela chamada Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada em maio de 2008.

As quatro metas da Política Industrial estipuladas há dois anos não serão cumpridas este ano. Foi o que ouviu ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, no Rio, para um balanço das medidas implementadas pela chamada Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada em maio de 2008. Para o BNDES, a crise atrapalhou a estratégia. A reunião, da qual participaram a diretoria do banco e representantes dos Ministérios da Fazenda, Desenvolvimento, Cidades e Ciência e Tecnologia, foi realizada a portas fechadas. O encontro foi pedido pelo presidente. Lula e Coutinho não falaram com a imprensa. Coube ao diretor de Planejamento do BNDES, João Carlos Ferraz, dar um resumo do que foi apresentado ao presidente, mas sem detalhes. Crise mundial. "Obviamente, as metas que tínhamos de investimento em exportação, inovação e apoio à micro e à pequena empresa foram afetadas por um pequeno acidente de percurso que aconteceu numa economia não nacional um ano e meio atrás", brincou Ferraz, referindo-se à crise financeira global. O principal objetivo da PDP era a elevação, em 2010, da taxa de investimento fixo da economia para 20,9% do PIB. No entanto, o indicador fechou 2009 em 16,7% do PIB e projeção do próprio BNDES indica que a meta só será alcançada em 2012. Os outros três objetivos da PDP são: ampliação da participação do Brasil no comércio exterior para 1,25%, com US$ 208,8 bilhões em exportações este ano; expansão de 10% no número de pequenas empresas exportadoras, estimadas em 12 mil em 2006; e elevação do gasto privado com pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB. Segundo Ferraz, essas outras três variáveis também foram afetadas pela crise, mas, frisou, isso não significa insucesso da PDP. "O problema não é atingir ou não a meta, mas se estamos na trajetória", disse Ferraz. Para ele, o estabelecimento de objetivos concretos já foi um avanço. Segundo o diretor, entidades empresariais fizeram uma avaliação positiva da estratégia até agora. "O problema não é o número. Uma política de desenvolvimento produtivo é feita para o longo prazo", definiu. Ferraz explicou que Lula compreendeu as limitações criadas pela crise para o cumprimento das metas e pediu a elaboração de um estudo para uma nova PDP que ele pretende deixar para seu sucessor. Dessa vez, as metas seriam de quatro anos, com objetivos concretos até 2014. O trabalho ficaria pronto no período de transição, após a eleição do próximo presidente. <b>PARA ENTENDER</b> 1. O que é Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP)? É o nome dado à política industrial adotada no segundo mandato do presidente Lula. 2. Quando foi lançada? Foi lançada em 2008. 3. Quem coordena a PDP? É coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e executada pelo BNDES. <i>As informações são de O Estado de S. Paulo</i>
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