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BNDES: financiamentos sobem de 25,8% para 30% com a crise

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financiou, no ano passado, 25,8% dos projetos industriais e de infra-estrutura de empresas brasileiras, fechará o ano com participação ampliada para, no mínimo, 30%, segundo projeção do próprio banco. Boa parte desse aumento deve-se aos efeitos da crise financeira, reduziu a oferta de crédito às empresas.

Agência Estado |

Para o ano que vem, a previsão é de que banco de fomento estatal participe com uma parcela ainda superior, respondendo por, pelo menos, 32% da fonte de recursos.

Estudo técnico do banco, intitulado "Como as empresas financiam investimentos em meio à crise financeira internacional" mostra que as captações externas foram reduzidas quase à metade, de 17% para 9%, de 2006 para 2007, já como efeito da primeira etapa da turbulência internacional. Em valores do ano passado, cada ponto porcentual dessa escala correspondia a R$ 1,89 bilhão, o que significa uma redução de mais de R$ 15 bilhões de recursos externos para projetos de indústria e infra-estrutura. O banco ainda não dispõe de dados sobre o desempenho em 2008, quando a dificuldade de captação aumentou.

Desenvolvido por Fernando Puga e Marcelo Nascimento, da Área de Pesquisas Econômicas do BNDES, o estudo lista projetos já em tramitação no banco que envolvem, este ano, um total de investimentos de R$ 235 bilhões, dos quais pelo menos R$ 70 bilhões serão emprestados pelo banco estatal. "A maior parte desses investimentos tem um forte caráter de irreversibilidade, porque está associada a concessões (infra-estrutura), licenças ambientais ou projetos já em curso. Em alguns as empresas já realizaram 30%, 50% do investimento. O custo de deixar parado é muito grande", comenta Nascimento.

Ele explicou que a concentração do levantamento em projetos de infra-estrutura e indústria deveu-se à limitação de dados em outros setores. "Quando nos limitamos a estes dois segmentos, que são os grandes demandadores de recursos do BNDES, temos uma riqueza de dados maior e podemos ter uma avaliação mais apurada", explicou. Nos dois setores, 51% dos investimentos foram financiados com recursos próprios das empresas em 2007, principalmente por meio de lucros retidos.

Na avaliação do consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio de Almeida, a participação do BNDES no financiamento de projetos industriais em 2009 pode chegar a 40% do total. Ele estima que as linhas internacionais de crédito só devem voltar a bater às portas das empresas brasileiras no final do ano que vem. "Talvez o BNDES seja a única fonte de financiamento para algumas empresas neste período", diz Almeida.

Ele pondera, no entanto, que se por um lado o banco vai se deparar com aumento da demanda por crédito, por outro haverá um alívio de pressão porque muitas empresas devem decidir postergar projetos. A expectativa do Iedi é que o desembolso do BNDES em 2009 fique próximo do feito este ano, entre R$ 85 bilhões e R$ 90 bilhões.

No que diz respeito à indústria, Almeida diz que o financiamento do banco respondia por uma média de 25% do valor total do projeto. Para 2009, esta participação deve saltar para 35% a 40%. Este incremento substituiria as captações feitas no exterior.

"A forte instabilidade dos mercados de capitais, observada nos meses de setembro e outubro, indica que ainda levará algum tempo para que as empresas brasileiras consigam retomar seu padrão de financiamento", diz o texto do levantamento dos economistas do BNDES. "As linhas externas de financiamento demorarão a se restabelecer, uma vez que essa retomada está relacionada ao próprio abrandamento da liquidez internacional. A crise implica em grande desafio para o BNDES. O banco, em função de seu porte e da estabilidade de seu funding, terá que atuar de maneira anticíclica na concessão de financiamento às empresas nacionais."

A Log-In, empresa do setor de logística, ainda não havia recorrido ao banco, mas planeja pedir seus primeiros financiamentos junto ao BNDES em 2009. Até então, a empresa havia acionado o banco apenas como agente repassador dos recursos do Fundo de Marinha Mercante (FMM), utilizados para a construção de sete embarcações. A empresa quer levantar cerca de R$ 96 milhões para obras de expansão em dois de seus terminais.

"O BNDES será a nossa única fonte de financiamento. Pensamos em pegar crédito para financiar 80% do custo do dos projetos. Não pensamos em fazer captações externas", afirma Leonardo Gabelha, diretor financeiro da Log-In.

Nos planos da empresa está a duplicação de capacidade do Terminal de Vila Velha, no Espírito Santo, para 280 TEUs até 2010. A iniciativa exigiria investimentos da ordem de R$ 65 milhões. A empresa também quer ampliar a capacidade do Terminal de Camaçari, na Bahia, o que exigiria desembolso de R$ 31 milhões.

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