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BRASÍLIA - Para enfrentar a forte concorrência chinesa, o governo Lula quer estimular a venda externa de bens de consumo duráveis, e vai colocar dinheiro do BNDES para financiar o consumidor de países da América Latina que comprar produtos brasileiros. Para começar, criou uma linha de financiamento subsidiado, no valor de R$ 7 bilhões, destinada à produção, de eletroeletrônicos a automóveis, para esse fim.

BRASÍLIA - Para enfrentar a forte concorrência chinesa, o governo Lula quer estimular a venda externa de bens de consumo duráveis, e vai colocar dinheiro do BNDES para financiar o consumidor de países da América Latina que comprar produtos brasileiros. Para começar, criou uma linha de financiamento subsidiado, no valor de R$ 7 bilhões, destinada à produção, de eletroeletrônicos a automóveis, para esse fim. A nova linha é parte dos R$ 80 bilhões adicionais destinados ao Programa de Sustentação de Investimentos (PSI), contida na Medida Provisória 487, divulgada há dois dias. De forma que os recursos de estímulo ao setor de bens de capitais, tecnologia e exportação foram ampliados de R$ 44 bilhões (esgotados) para R$ 124 bilhões. Para suporte aos novos recursos, o BNDES já recebeu R$ 76 bilhões em empréstimos de longuíssimo prazo do Tesouro, como parte dos R$ 80 bilhões anunciados. O secretário-adjunto de Política Econômica da Fazenda, Dyogo Oliveira, explicou que a pedido do presidente Lula, o BNDES já formatou e está em fase de contratação dos bancos que vão dar o crédito lá fora, por meio da nova linha Finame América Latina, que terá recursos ilimitados. Oliveira justificou que os R$ 80 bilhões adicionais, a prazos longos e juros baixos, vão garantir o objetivo do governo de dar continuidade ao crescimento econômico. "O governo entende que tem que manter o ciclo de crescimento, aumentando a capacidade de produção para atender o aumento esperado de demanda, nos próximos anos", afirmou. Ele argumentou também que existe preocupação governamental com o fraco desempenho das exportações nesses tempos pós-crise mundial. E com a concorrência de produtos da China que se alastram por mercados latino-americanos."Essa disputa é feita com todas as armas, onde o crédito é uma delas, e muito importante", destacou. A nova linha de US$ 7 bilhões para exportação de bens de consumo duráveis para América Latina terá juros de 7% até o fim de junho, subindo a 8% anuais - portanto abaixo da nova taxa básica Selic que subiu ontem para 9,5% anuais - em 1º de julho deste ano. A diferença de juro é paga pelo contribuinte. (Azelma Rodrigues | Valor)

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