RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai investir até R$ 1,5 bilhão em dez fundos de investimento, com o objetivo de apoiar empresas emergentes e preparar companhias para futuras aberturas de capital. O banco receberá, até o dia 11 de agosto, propostas para aplicação nos três primeiros fundos que serão apoiados pela instituição.

Esses três primeiros fundos capitalizados pelo novo Programa de Fundos de Investimento serão da modalidade private equity - para compra de participação em empresas - e terão focos diferenciados: agronegócio, etanol e biomassa e incremento da governança. No total, o processo de escolha dos dez primeiros fundos poderá levar até dois anos.

O novo programa se diferencia das participações que o BNDES tem atualmente em 31 fundos principalmente por conta da fatia destinada ao banco, que era de 25% para aplicação em private equity e de 30% para venture capital (empresas emergentes, inovadoras). Agora, o teto de participação passa a ser 20% e 25%, respectivamente. Nesses 31 fundos, o BNDES tem cerca de R$ 1,5 bilhão aplicados, recursos que já contribuíram para investimentos em cerca de 110 empresas.

O chefe do departamento de investimento em fundos, Eduardo de Sá, explicou que os R$ 1,5 bilhão deverão ser desembolsados ao longo dos próximos cinco anos, e que, dos 10 fundos previstos, oito serão de private equity e dois de venture capital. A opção de iniciar o programa pelo private equity acontece, segundo o técnico, para que não haja concorrência de busca por recursos com outros nove fundos de venture capital que já estão na carteira de 31 fundos nos quais o BNDES tem participação.

A expectativa de Sá é que a participação do BNDES nesses 10 novos fundos alavanque investimento total de R$ 7 bilhões captados entre investidores institucionais e qualificados. Como o prazo para escolha dos fundos para investimento é longo e os recursos não serão desembolsados de uma vez, Sá acredita que o novo programa não vai pressionar o orçamento do BNDES, que vive um momento de escassez de 'funding'.

Por isso reduzimos também o nível de participação do banco. Não sei como vai ser o problema de orçamento mais para frente, mas acho que não há preocupação, até porque, quando aprovamos o fundo, não colocamos tudo de uma vez para o gestor. Integralizamos o capital a cada investimento, ressalta Sá.

A expectativa de retorno para o banco é positiva, segundo o técnico. Pela carteira do banco desde o início da aplicação em fundos, que data de 1996, o retorno para o BNDES tem dado bons resultados em alguns casos. Sá alega que já houve casos de remuneração de IGP-M mais 20% entre as apostas do BNDES no setor. A expectativa de retorno financeiro é dentro de cinco ou seis anos e fatalmente haverá fundos com retornos maiores. O correto, neste caso, é olhar o resultado do portfólio como um todo, afirma.

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