O consumo aparente de bens de capital segue com alto crescimento, mas com desaceleração suave e saudável, de acordo com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. A análise se baseia em números do novo indicador do consumo aparente de bens de capital, chamado Indicador Finame, que foi lançado hoje pelo BNDES.

O novo indicador considera a procura por financiamentos para máquinas e equipamentos junto ao BNDES e também o consumo aparente - produção nacional menos exportação mais importação desse tipo de produto. O novo indicador mostra que, para períodos de 12 meses, houve alta de 23,2% em abril, 22,3% em maio e de 19,8% em junho.

Os dados do Indicador Finame para outras comparações de tempo serão informados ainda este mês, bem como o detalhamento da metodologia. O lançamento do novo indicador foi precipitado pela divulgação ontem pelo IBGE da queda de 4,9% na produção industrial de bens de capital em maio em relação a abril. "É prematuro julgar a partir de um número só", disse Coutinho. "A despeito do dado de maio do IBGE, não há uma sinalização robusta de que a produção industrial está caindo", disse o superintendente da Secretaria de Assuntos Econômicos do IBGE, Ernani Torres Filho, responsável pelos estudos do novo indicador.

Coutinho deu uma visão do processo de crescimento dos investimentos em bens de capital em prazo maior: "O crescimento acelerou, chegou em velocidade de cruzeiro muito alta - que 20% não é brincadeira, é muito forte -, isso ocupa a capacidade, então estabiliza em nível alto".
Ele lembrou também que a base de comparação é alta.

Coutinho afirmou que o processo de desaceleração da demanda de bens de capital para a indústria não reflete a alta de juros, mas já vem desde o fim do ano passado. De acordo com o presidente do BNDES, o processo é saudável porque "torna o crescimento mais sustentável, mais equilibrado".

Torres Filho afirmou, com base em outra pesquisa que vem sendo desenvolvida pela sua área, que os investimentos para 2009 a 2012 devem crescer a um ritmo superior ao estimado pelo BNDES para o período entre 2008 e 2011. Ele citou os setores de siderurgia e veículos como exemplos de aceleração dos investimentos sobre o ano passado. "A gente não está vendo crise nenhuma. Nenhuma desaceleração de investimento", afirmou Torres Filho.

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