O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou, até outubro, R$ 107,5 bilhões. Com o volume de recursos contratados, bateu a meta prevista para o desempenho de 2009.

“No início do ano tínhamos uma meta otimista, que foi levada ao Conselho de Administração, de elevar em 15% os desembolsos este ano, passando de R$ 92,5 bilhões para R$ 106 bilhões. Em outubro, o acumulado do ano já ultrapassa esse volume, o que demonstra que as decisões de investimentos das empresas são positivas e foram apenas postergadas no início da crise”, afirmou Gabriel Visconti, chefe do Departamento de Orçamento do banco.

A expectativa da instituição é de que o ritmo de empréstimos continue acelerado, considerando o nível dos pedidos de financiamento. Essas consultas atingiram em outubro quase R$ 12 bilhões e acumularam R$ 206,4 bilhões em dez meses. As liberações em 12 meses já somam R$ 128,2 bilhões, quase 50% a mais do que os 12 meses anteriores, informou o banco.

Visconti reconhece que parte do “boom” de liberações do BNDES tem relação com um recuo das instituições privadas de crédito durante a crise. Os prazos foram reduzidos e os bancos elevaram as taxas de juros. O executivo salienta que a atitude agressiva dos bancos oficiais garantiu a continuidade do investimento.

“Não adiantaria nada ofertar crédito se não houvesse demanda. A atuação rápida do governo permitiu que os efeitos da crise fossem menos perversos”, diz Visconti. O executivo destaca a boa performance do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), lançado em junho e que termina em setembro. A linha é voltada basicamente ao segmento de bens de capital, um dos últimos a reagir à crise econômica.

A carteira do PSI, que já alcança R$ 20 bilhões, desembolsou até agora em torno de 60% dos recursos, mais da metade para a aquisição de bens de capital e o restante para exportações. Visconti não quis fazer estimativas sobre o volume que o banco deve desembolsar este ano. Mas, no fim do mês passado, o presidente da instituição, Luciano Coutinho, já projetava R$ 130 bilhões.

O bom desempenho da indústria foi o principal responsável pelo resultado dos desembolsos até outubro. O setor industrial respondeu por 49% do total de desembolsos, com liberações de R$ 52,6 bilhões, com crescimento de 82% em relação aos dez primeiros meses de 2008. Entre os segmentos que mais se destacaram, segundo o banco, estão o de material de transporte, química e petroquímica e metalurgia.

No que diz respeito à infraestrutura, os desembolsos do BNDES somaram R$ 36 bilhões, com aumento de 28% ante janeiro a outubro do ano passado. O destaque, neste caso, foram os desembolsos para energia elétrica, que atingiram R$ 10,4 bilhões, alta de 60% em relação aos 10 primeiros meses de 2008.

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