A montadora alemã BMW planeja vincular as bonificações de seus executivos àquelas distribuídas entre os funcionários da linha de montagem, numa tentativa de criar um ambiente de compensação mais justo e sustentável dentro da empresa. A partir de 2010, a BMW usará uma mesma fórmula para determinar e distribuir bonificações aos funcionários de todos os níveis, com base no desempenho da empresa medido pelo seu lucro, volume de vendas e outros fatores.

Isso significa que funcionários de alto escalão podem perder mais dinheiro do que seus correspondentes menos graduados em decorrência de um fraco desempenho da BMW, disse a montadora.

Um porta-voz da BMW disse que o objetivo da empresa era criar práticas de compensação justas e transparentes, evitando a formação de uma lacuna entre gerência e linha de montagem. "Não queremos apenas construir carros sustentáveis. Queremos estabelecer políticas sustentáveis de relacionamento entre os funcionários. Achamos que isso é positivo para a cultura da empresa", disse um porta-voz da empresa. Ele não quis detalhar o funcionamento da fórmula de maneira mais específica.

Outras firmas podem seguir o exemplo da BMW, conforme aumenta a pressão para que as empresas restrinjam as bonificações excessivas na esteira da crise financeira. A chanceler alemã Angela Merkel já se manifestou contra as bonificações excessivas, chamando-as de "inapropriadas". Em setembro, ela redigiu uma carta com o presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, antes da reunião do G20, em Pittsburgh, propondo um limite para a quantia total distribuída por um banco sob a forma de bonificações. Eles não estipularam um limite para a remuneração individual atribuída por um banco a um único indivíduo.

"Nossos cidadãos estão extremamente chocados com a retomada de práticas condenáveis que parecem ignorar o fato de o dinheiro do contribuinte ter sido mobilizado para sustentar o setor financeiro no auge da crise", dizia a carta.

O presidente americano Barack Obama também já se manifestou contra as bonificações excessivas. Em junho, ele indicou o procurador Kenneth Feinberg para supervisionar as práticas de compensação adotadas por sete das empresas beneficiadas pelo resgate federal. Para tal finalidade, Feinberg desenvolveu um plano para cortar pela metade a compensação distribuída por estas empresas. Em outubro, Feinberg pressionou Kenneth D. Lewis, diretor executivo da Bank of America Corp em fim de mandato, a devolver US$ 1 milhão em bonificações e abrir mão de todos os salários adicionais deste ano.

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