Buenos Aires, 13 out (EFE).- Os países desenvolvidos enfrentarão uma recessão generalizada, enquanto as nações emergentes crescerão apesar da crise financeira internacional, sustentou a vice-presidente do Banco Mundial (BM) para a América Latina e o Caribe, Pamela Cox.

Em uma entrevista ao jornal argentino "La Nación" publicada hoje, Cox também advertiu que "haverá impacto através de menores receitas fiscais e uma baixa na despesa do setor privado" em países que se beneficiaram nos últimos anos pelo aumento nos preços das matérias-primas.

"Já vemos uma queda no preço das matérias-primas, que cairão mais 25%, o que gerará um grave problema", explicou a vice-presidente do BM para a região, quem previu um 2009 "muito difícil".

De todas formas, afirmou que os países latino-americanos estão "muito melhor" do que há 10 anos "porque a maioria têm superávit, reduziram suas dívidas e adotaram importantes medidas regulatórias no mercado financeiro, o que lhes permite navegar muito melhor nestas águas tão turvas".

"Mas mesmo assim estão em meio a uma tempestade global", assinalou Cox, quem estimou que "na região há 47 milhões de pessoas em condições de extrema pobreza", mas "a alta dos alimentos dos últimos seis meses empurrou outros 10 milhões a esse grupo".

Em recente entrevista à agência Efe, Cox admitiu a possibilidade de o BM "ajustar" suas projeções de crescimento para a região da América Latina e Caribe, como já fez quando rebaixou a previsão de 2008, de 4,8% para 4,5%.

Sobre a Argentina, Cox disse que, no próximo ano, o crescimento se "desacelerará",ficando em 4,5%.

"Claramente boa parte deste crescimento (na Argentina) vinha das exportações e a baixa da demanda mundial afetará tanto o setor público como o privado. Para frente, o desafio é manter um sólido programa de política econômica", considerou.

De todas as formas, opinou que o país "está mais protegido ao estar afastado dos mercados", embora sustente que a Argentina deve manter as negociações para o cancelamento da dívida com o Clube de Paris porque "é importante para voltar a ganhar acesso ao mercado de capitais".

"É uma política de médio prazo que deve se manter, porque a Argentina necessita muito mais dinheiro para crescer que o que lhe podem oferecer o BM, o BID e os investidores locais", manifestou.

O Governo da Argentina ratificou na semana passada que cumprirá a promessa de cancelar dívidas com o Clube de Paris por US$ 6,7 bilhões em moratória desde 2001, tal como anunciou a presidente Cristina Fernández de Kirchner, no início de setembro. EFE ms/jp

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