Washington, 8 out (EFE).- A crise financeira que já castiga grande parte do planeta está chegando com força à América Latina, segundo o Banco Mundial (BM), que alertou hoje sobre o efeito adverso para a região da queda dos preços das matérias-primas.

"O contágio financeiro está chegando com força à região", disse hoje em coletiva de imprensa Augusto de la Torre, economista-chefe do Banco Mundial (BM) para a América Latina.

"Estamos envolvidos em um redemoinho de alcance global", alertou De la Torre, que lembrou ainda que as quedas sofridas nas últimas semanas pelos principais índices das bolsas de valores latino-americanas foram devido às turbulências em Wall Street.

Segundo ele, apesar das correções nos mercados terem sido substanciais, não alcançaram níveis dos países emergentes de Ásia e Europa Oriental.

Mais intensa foi a queda das divisas, que o analista do BM qualificou de "muito virulentos" no caso de Brasil, Colômbia e México, onde as moedas locais tinham começado a perder força antes da eclosão real da crise em meados de setembro. Ao contágio financeiro, se soma a queda nos preços das matérias-primas.

O BM lembrou que mais de 90% da população latino-americana vive em países exportadores de matérias-primas, o que representa 90% da atividade econômica da região.

Entre eles se encontram, entre outros, Venezuela, Argentina, Chile, México, Peru, Colômbia e Brasil.

De la Torre ressaltou que os países centro-americanos e do Caribe experimentam "um certo alívio" por serem importadores líquidos de matérias-primas, embora esse efeito positivo tenha sido abalado pela queda no montante de remessas e o esfriamento de suas economias.

Entre as poucas notícias positivas está a previsível desaceleração da inflação, segundo o economista do BM.

"Acho que agora é razoável dizer que a inflação já não é a principal fonte de angústia", afirmou.

Em geral, De la Torre destacou que a região está melhor preparada do que no passado para enfrentar bem as dificuldades, graças às reformas macroeconômicas dos últimos anos e a sua menor dependência dos fluxos externos de capital.

Mesmo assim, a crise não encontra todos igualmente preparados.

No primeiro grupo e com o risco mais alto, ele aponta Argentina, Equador, Belize, Venezuela e República Dominicana.

No segundo, com um risco médio, Panamá, Peru, Brasil, Uruguai e Colômbia. Entre os países onde os investidores percebem um menor risco, estão México e Chile. EFE tb/rr

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