SÃO PAULO - O bilionário mercado dos Exchange Traded Funds (ETF, na sigla em inglês), de fundos de índice, ganhou três novas versões nacionais na BM & F Bovespa com o início das negociações das cotas do iShares Ibovespa (que replica o Ibovespa), iShares BM & F Bovespa Small Caps (de empresas de baixa capitalização) e iShares BM & F Bovespa MidLarge Cap (de companhias de média e grande capitalização). Com a gestão assinada pelo Banco Barclays, as carteiras marcam a estréia da instituição inglesa na gestão de ativos no Brasil.

Compostos por uma cesta de mais de 60 ações, os portfólios combinam as características de um fundo aberto diversificado com a negociação das cotas em pregão. O Citibank será o administrador e também atuará como formador de mercado.

No mundo, existem quase 3 mil ETFs, que movimentam uma média de US$ 40 bilhões ao dia. No mercado americano, essas carteiras são bastante populares entre as pessoas físicas, que respondem por 90% dos ETFs, apesar de os primeiros fundos, criados em 1989, terem tido os institucionais como alvo. No Brasil, que até aqui tinha no Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB) - ofertado pela BNDESPar em em 2004 e 2005 -, que replica o IBrX-50, como único exemplo de fundo de índice, a expectativa é de que os ETFs tenham trajetória semelhante à trilhada pelos fundos de índice no mercado internacional. Na largada, o foco do Barclays - que tem US$ 2 trilhões em ativos sob gestão -estará nos grandes investidores, mas a idéia é atrair também a pessoa física na medida em que o segmento amadureça.

Lançar ETFs num momento de alta volatilidade pode parecer contraditório, mas não foi essa a leitura dos executivos do Barclays, tendo em perspectiva a experiência em outros países. " Os fundos têm mostrado excelente aceitação em períodos difíceis " , disse o CEO do Barclays Global Investors para a América Latina, Daniel Gamba. Ele citou que, até o ano passado, os ETFs respondiam por 29% das negociações na bolsa de Nova York (Nyse), saltando para os 38% atuais, em pleno estresse financeiro global. Para o diretor responsável pela divisão de gestão de ativos de terceiros do Barclays no Brasil, Marcello Allain, é justamente o aumento da aversão ao risco que vem criando demanda adicional por carteiras mais diversificadas.

As versões brasileiras dos ETFs nascem com um incentivo à arbitragem. Além de comprar as cotas diretamente no pregão, o investidor poderá trocar as cestas de ações correspondentes por fatias dos ETFs. Nesse tipo de transação, as corretoras Ágora, Citi, Fator, Link e UBS é que serão os agentes autorizados. A cada 30 segundos, a BM & F Bovespa atualizará o valor indicativo da carteira do fundo (IOPV, em inglês), tendo como base a cotação das ações que compõem os portfólios. Eventuais prêmios ou deságios em relação aos índices de referência abrem oportunidades para se arbitrar preços. Para o diretor de Produtos da BM & F Bovespa, Murilo Robotton Filho, tal natureza dos ETFs tem o potencial de trazer mais liquidez para ativos pouco negociados.

No primeiro dia de negociações, o iShares Ibovespa movimentou R$ 26,8 milhões, em 150 negócios, e teve valorização de 1,87%. O iShares Small e o MidLarge Caps registraram 1 negócio cada e giro de R$ 4,8 milhões. O lote-padrão é de 100 cotas. A integralização ou resgate custa R$ 150,00, além da corretagem e da taxa de administração dos fundos: 0,54% no Ibovespa, 0,69% no Small e 0,54% no MidLarge. Como o Barclays vai colocar 30% da carteira em aluguel, a receita obtida vai reduzir parte dessas despesas.

(Adriana Cotias | Valor Econômico)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.