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BM alerta para contágio de crise financeira em nações mais pobres

Teresa Bouza. Washington, 9 out (EFE).- O presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick, disse hoje que a atual crise financeira poderá afetar as nações em desenvolvimento e alertou para as conseqüências econômica e humana para os mais pobres.

EFE |

"Durante as últimas semanas nossa atenção se fixou no tamanho dos pacotes financeiros (...) Devemos ver além do resgate financeiro e (pensar) em um resgate humano", disse o responsável do BM em entrevista coletiva anterior à assembléia anual desse organismo e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O ex-representante de Comércio exterior americano alertou sobre possíveis "emergências bancárias" no mundo em desenvolvimento e crise nas balanças de pagamentos.

"A deterioração nas condições financeiras, combinada com um endurecimento monetário, provocará a quebra de empresas e, possivelmente, emergências bancárias", previu.

"Alguns países sofrerão crise nas balanças de pagamentos", advertiu Zoellick, que evitou citar nações ou regiões concretas durante seu discurso.

Ele afirmou que os países em desenvolvimento, já debilitados pelos elevados preços dos alimentos e da gasolina, enfrentam agora um "golpe triplo" perante a crise financeira global originada nos Estados Unidos, que se intensificou em meados de setembro.

Lembrou que a gravidade da crise levou o BM a cortar em 2,6 pontos percentuais as previsões de crescimento para o mundo em desenvolvimento para 2009.

O Banco tinha previsto em abril passado que as nações em desenvolvimento cresceriam 6,6% em 2009, mas agora diz que a taxa se situará em torno de 4%.

"É uma taxa de crescimento respeitável, mas a desaceleração será tão significativa que deve ser sentida como uma recessão", afirmou Zoellick, para quem em muitos países a taxa de crescimento será muito inferior à média.

Durante seu discurso, ele também criticou os países mais ricos por não cumprirem com seus compromissos de ajuda aos pobres.

Mencionou que o Grupo dos Sete (G7, sete nações mais industrializadas do mundo), que se reunirá amanhã em Washington, está "muito atrasado" em sua promessa de duplicar sua ajuda à África para o ano 2010.

O G7 assumiu esse compromisso durante a cúpula de líderes de Gleneagles (Escócia), em meados de 2005.

Zoellick pediu aos países europeus que apóiem a proposta do presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso, de desembolsar 1 bilhão de euros de ajuda para as nações mais castigadas pelos elevados preços dos alimentos.

Ele anunciou que o BM destinará US$ 25 milhões adicionais ao Haiti para ajudar o país a enfrentar o impacto devastador dos furacões "Gustav" e "Ike", e das tempestades "Fay" e "Hanna".

"Não se pode pedir aos pobres que paguem o preço mais alto", afirmou.

Zoellick mencionou, nesse sentido, que a atual crise poderia aumentar este ano o número de pessoas desnutridas em 44 milhões de indivíduos, o que colocaria o total próximo a 1 bilhão.

"Para as crianças (desnutridas) a situação representa uma potencial perda", afirmou o presidente do BM.

Para Zoellick, os ministros de Finanças e governadores dos bancos centrais do G7 apostarão por "ações coordenadas" para dar uma resposta conjunta para a atual crise global.

"Os países adotarão distintas medidas que se adaptem a suas circunstâncias (...), mas as medidas têm que ser coerentes", explicou Zoellick, que citou como exemplo de uma boa ação o corte coordenado de taxas de juros decidido na quarta-feira pelos principais bancos centrais do mundo.

Mesmo assim, advertiu que será necessário algum tempo para que todas essas medidas funcionem. EFE tb/ab/plc

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