Brasília, 15 - O secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, disse hoje que a ampliação do uso da exigibilidade para o crédito rural foi necessária para suprir um crescimento menor dos depósitos à vista. Segundo ele, no lançamento do Plano Safra 2008/2009, o governo calculava que os depósitos à vista teriam um crescimento médio de 15%.

Mas essa expansão, nesse ritmo, não está ocorrendo, o que fez com o que o governo revisse as estimativas de recursos que estariam disponíveis para a agricultura por meio da exigibilidade.

Bittencourt disse que, de julho a setembro deste ano, os depósitos à vista registraram um crescimento entre 1% e 2%. A previsão do governo é que haja uma aceleração desse ritmo de crescimento a partir de novembro, de forma que a expansão dos depósitos à vista seja entre 5% e 7% até o final de junho de 2009. Com isso, segundo o secretário, haveria uma redução da disponibilidade de recursos para o setor agrícola em R$ 2,5 bilhões em relação ao projetado pelo governo no Plano Safra.

Bittencourt disse que a medida anunciada ontem pelo CMN vai repor essa perda e colocar mais R$ 3 bilhões no mercado. Ele disse que a determinação do governo é não deixar faltar crédito para a agricultura. "O foco é garantir a produção", afirmou. Ele explicou que parte dos grandes produtores estava buscando crédito nas empresas de trading, mas que essas empresas também estão operando em um ritmo menor que o desejado porque encontram dificuldade em captar recursos no sistema financeiro, o que levou os grandes produtores a buscarem crédito nos bancos.

O secretário disse que o governo acredita que a situação no médio prazo deve se regularizar, mas, como a safra tem uma questão cíclica, o governo teve que agir para garantir o plantio. "Acho que resolve o problema neste momento com as taxas controladas", disse.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.