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BIS recomenda que BCs deixem o juro alto

A inflação pode não cair em 2009, como é esperado, e os bancos centrais (BCs) precisam ser mais vigilantes para impedir que a expectativa das pessoas sobre os preços piore, disse Malcolm Knight, gerente-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, em inglês). No momento, muitos analistas acreditam que o recente aumento da inflação cheia nos países industriais representa um salto temporário e, com base nas atuais expectativas de ação da política monetária, a inflação cairá em 2009.

Agência Estado |

Mas não podemos estar totalmente confiantes nisso", disse Knight.

A inflação global é a grande preocupação dos presidentes dos BCs, que se reuniram neste fim de semana para o encontro anual do BIS. Em seu relatório, a instituição diz que a economia mundial pode estar perto de "um ponto de virada" que pode fazer com que entre em desaceleração tão severa que transforme o atual período de inflação crescente em outro período de preços em queda.

Para o BIS, o impacto dos preços crescentes de alimentos e energia na renda real, combinado com a habilidade reduzida das instituições financeiras em fazer empréstimos e os níveis de endividamento das famílias, pode levar à desaceleração do crescimento global, que "pode se mostrar bem maior e duradoura que o necessário para controlar a inflação".

"Com o tempo, isso potencialmente pode levar à deflação", disse o BIS. Mas a deflação é um cenário improvável e, no momento, a inflação é o perigo mais iminente. "Essas ameaças diferem em sua imediação, dado que a inflação está, de fato, subindo, enquanto o crescimento significativamente mais baixo ainda é uma possibilidade em muitas partes do mundo."

O BIS afirma que, na primeira parte desta década, os BCs falharam em fixar juros elevados o suficiente para restringir o boom de crédito. Para evitar a repetição da atual crise, a entidade recomenda que os BCs se preparem para manter os juros elevados mesmo quando não houver sinais óbvios de que a inflação está prestes a subir. "Com a inflação como ameaça clara e presente e as taxas de juro reais em muitos países muito baixas para os padrões históricos, um viés global para um aperto monetário parece apropriado."

Na análise do BIS, as previsões de crescimento das economias emergentes são robustas, mas a deterioração nas economias avançadas pode ser "um grande desafio". O BIS vê riscos de as exportações dos emergentes enfraquecerem, restringindo a habilidade para impulsionar a demanda doméstica.

Essas nações com elevados déficits em conta corrente e dívida de curto prazo ou fortemente dependentes de financiamento externo também podem estar vulneráveis à reversão no fluxo de capital. "Uma desaceleração pronunciada nos EUA prejudicaria os emergentes que, embora estejam notadamente resistentes, ainda dependem significativamente da demanda externa."

Para o BIS, comparado à desaceleração dos EUA em 2001, quando os emergentes foram duramente atingidos, desta vez eles estão relativamente bem posicionados. As exportações para os EUA continuam importantes para as economias emergentes: é o destino de 20% das exportações chinesas. O BIS mencionou que a atual desvalorização do dólar pode agravar o impacto da desaceleração nos EUA nas exportações desses países.

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