Basiléia (Suíça), 28 jun (EFE).- O Banco de Compensações Financeiras (BIS, na sigla em inglês) recomenda aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, favorecer imigração e prolongar a vida ativa para garantir a viabilidade de longo prazo das finanças públicas.

Basiléia (Suíça), 28 jun (EFE).- O Banco de Compensações Financeiras (BIS, na sigla em inglês) recomenda aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, favorecer imigração e prolongar a vida ativa para garantir a viabilidade de longo prazo das finanças públicas. Em seu 80º relatório anual, publicado hoje, o BIS analisa a situação da economia entre 1º de abril de 2009 e passado 31 de março. O banco dos bancos centrais adverte sobre o aumento do déficit fiscal das economias industriais pela queda das receitas públicas, os custos dos resgates financeiros e as políticas fiscais expansivas após a crise financeira. O BIS prevê que a dívida pública das economias avançadas em percentual do Produto Interno Bruto (PIB) cresça de 76% em 2007 até mais de 100% em 2011, números recorde desde a Segunda Guerra Mundial. Acrescenta que "ainda não se conhece o custo total de pôr em ordem os balanços das instituições financeiras". "Além de 2011, diversos países industriais enfrentam o elevado e crescente despesa em previdência e saúde" pelo envelhecimento de sua população. Se não se abordam a tempo e com eficácia, estes custos poderiam gerar níveis de déficit e dívida cada vez maiores. A elevada e crescente dívida pública coloca riscos importantes para a economia mundial como demonstrou a recente crise da dívida europeia. O temor a que o setor público descumpra seus pagamentos pode induzir um aumento marcado das taxas de juros, o que pode agravar mais a fragilidade financeira e pôr em perigo a incipiente recuperação econômica. Persiste a preocupação com a sustentabilidade fiscal a longo prazo da Grécia e outros países europeus. O BIS insta a estes Governos a aplicar "medidas enérgicas para solucionar seus problemas fiscais" para evitar que esta preocupação se estenda a outros países. Além disso, o déficit fiscal previsto para 2010 e 2011 provavelmente persista apesar à recuperação. Por sua vez, os países deverão aumentar durante anos sua despesa por prestações de desemprego perante o aumento dos desempregados de longa duração e dispõem de duas opções para garantir a viabilidade a longo prazo de suas finanças públicas. A primeira consiste em promover o aumento da produtividade geral e do crescimento com medidas para reduzir despesas improdutivas, mudanças no sistema tributário e reformas dos mercados trabalhistas e de bens e serviços para reforçar a confiança dos mercados e manter baixas a taxas de juros. A segunda consiste em ampliar o tamanho da população ativa com relação ao da população idosa. Para isso seria possível favorecer a imigração em direção aos países com um rápido crescimento da população da terceira idade e aumentar a participação das mulheres e das pessoas de mais idade no mercado de trabalho. O índice de mulheres no mercado de trabalho se situava em 64% nos países da OCDE em 2008, muito abaixo dos 84% de homens. O BIS considera uma solução eficaz e duradoura favorecer o prolongamento da vida laboral, combinando um aumento da idade legal de aposentadoria com maiores incentivos para adiar esse momento. Se se seguem as políticas atuais, entre 2011 e 2050 o gasto público por envelhecimento da população como percentagem do PIB aumentará vários pontos percentuais na Alemanha, Espanha, EUA, Grécia e o Reino Unido, e algo menos na França, Itália e Japão, adverte o BIS. Prevê que a dívida em proporção do PIB cresça mais da metade nos EUA, em quatro recrutas na Espanha, que quase se duplique no Reino Unido e se triplique na Irlanda entre finais de 2007 e de 2011. O BIS descarta que o recente subida da dívida pública vá a cessar no futuro próximo porque os déficit provocados pela desaceleração econômica não vão a desaparecer com rapidez já que se prevê que a recuperação econômica seja lenta. EFE aia/dm

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