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BIS aponta risco na rolagem da dívida

GENEBRA - A degradação da saúde financeira de grandes bancos internacionais pode complicar para o Brasil a rolagem de US$ 60 bilhões de dívida de curto prazo, indica o Banco de Compensações Internacionais (BIS), espécie de banco dos bancos centrais. Os bancos estrangeiros fornecem 21% do crédito total no Brasil, pelos cálculos da instituição.

Valor Online |

Boa parte é em moeda local, feita pelas subsidiárias. Com isso, o país está mais protegido de choques que afetam os credores do que outros emergentes como a Índia, que dependem mais do financiamento direto das matrizes.

Já do crédito de US$ 121 bilhões obtido no exterior, a metade (49,1%) tem prazo de pagamento de até um ano. E, quanto maior a parte de curto prazo, maior a exposição a riscos na rolagem do crédito e, assim, aos problemas que os bancos credores sofrem.

Segundo o BIS, os grandes bancos já sofreram perdas de US$ 705 bilhões desde julho de 2007 e tiveram de receber injeção de capital de US$ 744 bilhões nesse período. Mas avalia que o impacto do socorro é incerto e nada garante que seja suficiente para retomar a intermediação financeira na economia.

Nesse cenário, alerta que a crise financeira pode " incitar " os grandes bancos a reavaliar suas exposição nos mercados emergentes, onde seus créditos duplicaram desde 2002, atingindo US$ 4,9 trilhões em junho.

Se redução desse fluxo for muito importante, o impacto negativo será forte no lado real das economias emergentes. Ainda mais que alguns países se tornaram crescentemente dependentes do crédito de bancos estrangeiros. No Leste Europeu, o volume fornecido pelo estrangeiro aumentou 10 vezes desde 2002.

No México, Polônia e Hungria, o crédito de bancos estrangeiros representa até 80% do total. Na Argentina, a medida da dependência do financiamento de instituição estrangeira declinou após a crise de 2001-02, mas ainda é de 40%.

No Brasil, esse dinheiro representou até 28% do total do crédito em 2001, mas foi caindo e depois voltou a subir para 21% em junho. O crédito fornecido por bancos locais cresceu mais na China, Índia e Coréia do Sul e manteve menor a taxa de crescimento de bancos estrangeiros.

Para o BIS, os países em que o crédito do banco estrangeiro toma a forma de local-a-local, em moeda nacional, estão mais protegidos contra choques que afetam os bancos credores, pois são externos a essas economias.

Nesse caso, aponta menos vulnerabilidade do Brasil e do México a esses choques do que a Índia e Hungria, respectivamente.

Mas o outro fator que influencia a sensibilidade do país ao crédito por banco estrangeiro é a estrutura de vencimento da dívida com credores diretamente no exterior. Nesse caso, as diferenças são grandes entre os emergentes, indo de 30% para o México, Hungria e Polônia, a até 50% ou mais para o Brasil, China, Índia e Coréia do Sul.

Bancos da Espanha e dos Estados Unidos são os maiores estrangeiros presentes na América Latina, com diferentes perfis de empréstimos. Nada menos de 80% do que os bancos dos EUA financiam aos emergentes é na base do curto prazo. No caso dos bancos holandeses, esse percentual é de 60%. Para o BIS, esses bancos podem " ajustar " rapidamente suas exposições.

Já os bancos espanhóis, italianos e japoneses não têm a mesma flexibilidade. Os créditos de curto prazo representavam 60% do total nos anos 90, mas hoje representam menos de 40%. Os bancos da Áustria, Alemanha e Itália emprestam sobretudo para os emergentes da Europa do Leste.

A exposição dos grandes bancos internacionais nas economias emergentes é relativamente pequena, variando de 10% a 20% de seus ativos totais.

Os créditos para os emergentes continuaram em alta, mas em ritmo menor desde 2007. Tinham crescido 34% no primeiro semestre de 2007 em relação ao ano anterior. Essa expansão ficou em 23% no segundo trimestre de 2008, com os bancos austríacos, canadenses, americanos e franceses reduzindo mais suas exposições.

(Assis Moreira | Valor Econômico)

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