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Bis adverte para risco de nova crise

O Banco de Compensações Financeiras (BIS, na sigla em inglês) adverte para o risco da longa manutenção das taxas de juros básicos nos níveis mínimos atuais, já que poderia ser o germe de uma nova crise financeira

AE |

O Banco de Compensações Financeiras (BIS, na sigla em inglês) adverte para o risco da longa manutenção das taxas de juros básicos nos níveis mínimos atuais, já que poderia ser o germe de uma nova crise financeira. Em seu 80.º relatório anual, publicado ontem, o BIS analisa a situação da economia entre 1.º de abril de 2009 e 31 de março deste ano e pede aos governos que façam seus deveres, principalmente reduzir os déficit fiscais, para evitar o surgimento de uma nova crise. Segundo o gerente-geral do BIS, Jaime Caruana, países altamente endividados não podem esperar que o crescimento econômico se fortaleça para apertar as condições fiscais. Caruana destacou que adiar os cortes nos gastos dos governos e o aumento das taxas de juros ameaçaria renovar os obstáculos para os mercados. "Nós não podemos esperar a retomada de um crescimento forte para dar início ao processo de correção da política", diz o gerente-geral. Os comentários de Caruana foram feitos após a divulgação do relatório anual do BIS e depois da cúpula do G-20, realizada no fim de semana em Toronto, Canadá. A política monetária continua a ser muito expansiva em todo o mundo. Os bancos centrais de alguns dos países com maior crescimento econômico começaram a retirar os estímulos aplicados durante a crise. Os bancos centrais da Austrália, Brasil, Índia, Israel, Malásia e Noruega elevaram as taxas de juros. Em termos reais, descontada a inflação, as taxas estão em níveis próximos a zero na zona do euro e são negativas no Reino Unido e nos EUA. No Japão, a leve deflação voltou a situar as taxas reais acima de zero. Se as taxas de juros são muito baixas, podem distorcer as decisões de investimento, levando riscos à estabilidade financeira. Taxas de juros oficiais baixos e taxas a longo prazo mais elevadas aumentam os lucros que os bancos podem obter, ao pedir empréstimos a curto prazo e emprestá-los a longo prazo. Já a compra de ativos expõe os bancos centrais a um risco de crédito considerável, que poderia submetê-los a pressões políticas. Manter baixas as taxas poderia atrasar os ajustes nos balanços do setor público. Os governos podem reorientar seu perfil de dívida para um financiamento a curto prazo e reduzir os juros. "Chegou o momento de se perguntar quando e como começar a prescindir dessas contundentes medidas", diz o BIS em seu relatório. Usando uma metáfora médica para descrever o estado de saúde do sistema financeiro, o BIS afirma que "a conjunção das vulnerabilidades persistentes no sistema financeiro com os efeitos secundários de um período tão prolongado de terapia intensiva poderia induzir à recaída do paciente".

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