O Banco Mundial reduziu ontem de 7,5% para 6,5% sua projeção de crescimento para a China neste ano, por causa do impacto da retração da demanda mundial sobre as exportações e o investimento produtivo do país. Esta é a segunda revisão da estimativa de expansão de 9,2% que a entidade mantinha até novembro de 2008.

O pacote de investimentos de US$ 585 bilhões anunciado no ano passado vai evitar uma queda ainda maior na expansão do Produto Interno Bruto (PIB), mas uma recuperação expressiva da atividade econômica só será possível com a recuperação do crescimento mundial, prevê o relatório trimestral do Banco Mundial sobre a China.

A instituição espera queda nas exportações e aumento da capacidade ociosa na indústria, o que deverá reduzir os investimentos do setor produtivo. Segundo o relatório, os investimentos públicos não vão compensar essa retração - e isso não é necessariamente uma má notícia.

Os economistas do Banco Mundial avaliam que há limites para o volume de investimentos do Estado para contrabalançar a retração econômica. Eles defendem mais gastos na área social para amenizar o impacto da crise.

A expansão não criteriosa dos investimentos poderá agravar os desequilíbrios da economia chinesa. O relatório alerta para o risco de subsídios e incentivos financeiros aumentarem os investimentos "retrógrados" na indústria pesada ou em setores voltados à exportação.

Em um cenário de retração mundial, o Banco Mundial defende o aumento dos recursos na rede de proteção social e no pagamento de benefícios para os que perderam ou perderão seus empregos em razão da crise.

Apesar da revisão da estimativa do PIB, a China vai se sair melhor que a média mundial, na avaliação da instituição. O Banco Mundial espera retração de 1,5% da economia global em 2009, 2,5 pontos porcentuais menos que a previsão anterior.

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