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Biocombustíveis influíram pouco na alta dos alimentos, conclui FGV

São Paulo, 19 - A expansão da produção de biocombustíveis não é fator relevante para a recente alta do preço dos alimentos. A conclusão é do estudo Fatores Determinantes dos Preços dos Alimentos - O Impacto dos Biocombustíveis, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgado hoje durante a 1ª Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, em São Paulo.

Agência Estado |

De acordo com o economista da FGV Alexandre Mendonça de Barros, responsável pelo trabalho, a especulação nos mercados futuros foi o que contribuiu de maneira mais significativa para o aumento dos preços entre 2007 e 2008.

O estudo, que utilizou modelos econométricos para analisar a relação de causalidade entre a inflação de alimentos e o aumento da produção de biocombustíveis - seja os produzidos a partir da cana-de-açúcar ou do milho -, revela um forte crescimento do movimento especulativo no período de alta dos preços. Entre os meses de janeiro a abril, em média, a posição comprada dos contratos futuro "non commercial", ou seja, operados por especuladores e não por agentes do mercado que buscam proteção ao seu negócio, representava 25,2% do total em 2005, em média. Em iguais meses de 2008, esse porcentual foi de 48%. "Nos últimos dois meses, as posições compradas praticamente desapareceram e os preços despencaram", disse Mendonça de Barros.

Em contrapartida, os testes realizados sobre a correlação entre o volume usado para a produção de etanol e preços do milho e entre a área plantada com cana-de-açúcar e os preços médios dos grãos não encontraram fatores significativos que pudessem determinar a alta das cotações. "Além disso, os números permitem afirmar com segurança que a expansão da cana-de-açúcar foi acompanhada de significativo crescimento, especialmente nesta década, da área cultivada com grãos no Brasil", diz o estudo.

Já testes de causalidade apresentados no estudo concluem que a atividade especulativa nos mercados futuros provocou uma alta dos preços, ao contrário da teoria amplamente aceita pela literatura econômica, a de que os preços futuros seguem o mercado spot (à vista). "Há uma causalidade entre a presença dos especuladores e sua influência nos preços futuros, o que sugere que boa parte da alta dos preços deve-se a esse novo ator", afirmou Mendonça de Barros.

Estoques

O baixo nível dos estoques é o segundo fator apontado pelo estudo como relevante para a alta dos preços dos alimentos. "O liberalismo tomou conta também da agricultura nos últimos anos e, por decisão de políticas públicas, o nível dos estoques caiu de forma significativa na China e na Europa", observou. Essa situação, acompanhada de um forte aumento de demanda por grãos puxada pelos países emergentes, ajudou a compor o cenário de preços altos para os alimentos entre 2007 e 2008.

A desvalorização do dólar a partir de 2002, interrompida apenas há alguns meses, e quebras de safra em importantes países produtores foram outros pontos utilizados pela equipe da FGV na análise. O embaixador André Amado, subsecretário-geral de Energia e Alta Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, levou ao debate mais um fator de contribuição à forte alta do preço dos alimentos: o petróleo.

"Se há um mal que pode ser culpado por esse movimento, este mal é o petróleo, que acompanha e até determina a curva de alta do preço dos alimentos", disse. Ele observou que neste momento de queda no preço do combustível fóssil os preços dos alimentos acompanham a desvalorização. "A relação foi visível na alta e continua na queda", afirmou.

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