A anglo-australiana BHP Billiton, maior mineradora do mundo, anunciou ontem que desistiu da oferta de compra da rival Rio Tinto, também anglo-australiana. De acordo com o presidente-executivo da BHP, Marius Kloppers, as turbulências nos mercados e a queda nos preços das commodities alteraram o que então era um negócio bastante atraente para as empresas, segunda e terceira maiores produtoras de minério de ferro, atrás apenas da brasileira Vale.

Quando a BHP lançou sua oferta, toda baseada em troca de ações, no final do ano passado, o negócio foi avaliado em US$ 140 bilhões, o que seria o segundo maior da história, atrás apenas da aquisição da alemã Mannesmann pela britânica Vodafone, em 2000. Com a valorização das ações das empresas, no auge do ciclo das commodities, o negócio chegou a ser avaliado em US$ 193 bilhões. Mas, agora, com a queda nas cotações dos papéis, seria uma transação de US$ 66 bilhões.

Como efeito da desistência, as ações da BHP na Bolsa de Londres fecharam ontem em alta de 7,24%, enquanto as da Rio Tinto despencaram 36,73%. "Não havia qualquer indicação de que a BHP iria fazer isso, realmente é uma surpresa", afirmou Tim Barker, analista da BT Financial Group, em Sydney.

"O montante maior de dívida resultante da combinação das duas empresas, somado à dificuldade de nos desfazermos de ativos, elevaram os riscos sobre a criação de valor para o acionista para um nível inaceitável", disse Kloppers, em um comunicado. A BHP já havia conseguido aprovações de autoridades que avaliam concentração de mercado tanto nos EUA como na Austrália, mas enfrentava condicionantes na União Européia.

Segundo a empresa, os europeus queriam venda de ativos tanto de minério de ferro quanto de carvão, como condição para aprovar o acordo. A Rio Tinto, que sempre se opôs ao negócio, informou que não iria comentar a desistência da BHP.

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