SYDNEY - A BHP Billiton cortará 6 mil empregos e fechará sua mina gigante de níquel de Ravensthorpe, na Austrália, sofrendo uma baixa contábil de US$ 1,6 bilhão. A estratégia foi decidida diante do colapso dos preços das commodities.

Até agora, a maior mineradora do mundo tinha conseguido se manter a parte, mantendo sua produção. Até o mês passado, a BHP tinha dito que as vendas em volumes estavam se mantendo, apesar da crise mundial.

Mas conforme ficou cada vez mais aparente que não há solução rápida para a queda nos preços das commodities, a BHP acabou sendo forçada a fazer o que resistiu por algum tempo: fechar minas e cortar empregos.

"Claramente, o balanço deles está numa posição respeitável. Mas eles não são imunes ao ambiente dos preços das commodities que estamos vendo e o resultado vai sofrer", disse Neil Boyd-Clark, do Fortis Investment Partners.

O vice-presidente financeiro da BHP, Alex Vanselow, alertou nesta quarta-feira que mais minas podem ser fechadas dada as incertezas nos preços das commodities. As minas de produção de carvão metalúrgico já estão escaladas para reduzir o volume produzido entre 10% e 15%.

"O mundo mudou bastante desde outubro. Foi uma mudança muito profunda e dramática", disse Vanselow.

A BHP informou que está cortando cerca de 6 mil empregos no total, com cerca de 70% relacionados a trabalhadores temporários de suas minas.

A rival Rio Tinto já está eliminando 14 mil empregos, a Vale cortou 1.300 e colocou outros 5.500 funcionários em licença remunerada. Outras mineradoras também alertaram que empregos estão em risco.

Além dos 2.100 funcionários cortados na mina de níquel, a BHP vai eliminar outros 4 mil empregos da força de trabalho de 101 mil postos da companhia, informou Vanselow.

A mina de Ravensthorpe, que começou a produzir em 2007 com atraso de nove meses, custou US$ 2,2 bilhões para ser construída e é uma das maiores instalações de produção de níquel do mundo.

A produção entre janeiro e junho seria de 7 mil toneladas contra 2 mil toneladas nos seis meses encerrados em dezembro. A BHP havia informado em outubro passado que a mina levaria pelo menos dois anos para atingir capacidade total de 50 mil toneladas anuais.

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