Os números da produção industrial de fevereiro vieram fracos, pesam para expectativa de um PIB negativo no 1º trimestre, mas ainda assim mostram recuperação, na margem, da atividade. A avaliação é do economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano, que concedeu hoje entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

A produção industrial cresceu 1,8% em fevereiro ante janeiro e na comparação com fevereiro de 2008, a produção caiu 17,0%.

"O resultado veio bem abaixo do que a gente esperava, que era crescimento de 3,6% na margem. Ao mesmo tempo tivemos o segundo aumento consecutivo da produção, o que é importante. Vemos uma recuperação da indústria, na margem, mas em ritmo mais fraco, porque há algumas restrições, como o ciclo de ajuste de estoques que ainda está em curso", explicou.

Embora espere uma recuperação gradual da indústria, Serrano acredita que a produção industrial este ano deverá registrar queda ao redor de 3%.

Para Serrano, os dados da produção industrial reforçam expectativa de que o PIB volte a ser negativo no 1º trimestre deste ano, mas acredita que a recuperação da economia possa dar primeiros sinais no 2º trimestre e ficar mais evidente na segunda metade do ano. Ele estima que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá ficar estável ou crescer até 1%.

Serrano comentou também os números referentes a bens de capital, o único segmento a registrar queda na produção em fevereiro, ante janeiro (-6,3%). "Existem ainda restrições importantes, de crédito e em relação ao mercado internacional... e o ambiente de incerteza afeta muito esse segmento da economia. Bens de capital respondem muito a estímulo de taxa de juros e uma maior previsibilidade da economia e nesse momento a incerteza prevalece"

Na avaliação de Serrano, o crescimento levemente positivo do Brasil este ano poderá ser possível "por conta das condições domésticas". "Lá fora ainda há riscos importantes. Havia expectativa de que o pior já passou, mas os dados de emprego (nos EUA) de hoje mostram que não é bem assim", comentou. Relatório do ADP/Macroeconomic Adviser informou hoje que houve corte de 742 mil vagas no setor privado dos EUA em março, o maior já registrado na história da pesquisa.

(Luciana Xavier e Lucinda Pinto, segue)
O áudio com a íntegra da entrevista estará disponível, em instantes, no seguinte endereço: AE Broadcast Ao Vivo

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