O ministro do Planejamento Paulo Bernardo disse hoje à Agência Estado que está cada vez mais otimista com o alcance de um crescimento de pelo menos 5% este ano, podendo atingir 5,5%. Segundo o ministro, isso terá um efeito benéfico para a economia no próximo ano.

"Tem um efeito de arrasto para 2009 que ajuda, certamente, alcançarmos 4,5% em 2009. Os 4,5% tendem a ficar muito mais próximo de serem realizados", afirmou.

O ministro considera o aumento dos investimentos o aspecto mais positivo do resultado divulgado hoje pelo IBGE. Ele destacou que o crescimento do consumo das famílias, embora esteja bom, é menos da metade da expansão dos investimentos. "Portanto, vamos continuar com uma boa capacidade instalada", avaliou.

Paulo Bernardo lembrou que, apesar do aumento do consumo, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria tem ficado próximo dos atuais 85% nos últimos três anos. "O governo está animado", resumiu o ministro. Em relação aos investimentos, o ministro espera uma expansão mínima de 15% em 2008 na comparação com 2007. "Temos chance de acabar andando este ano um bom pedaço da nossa meta de chegar a 21% do PIB em 2010", afirmou. Em 2007, os investimentos representaram 18% do PIB.

Crescimento

O ministro disse ainda que um levantamento realizado pela sua assessoria mostrou que o Brasil teve o oitavo maior crescimento do PIB no segundo trimestre dentre os principais países emergentes. A lista, segundo o ministro, é liderada pela China, Peru e Índia. "Estamos em uma situação boa, o que significa que o governo está ajudando a economia. Temos o papel de zelar. Vamos continuar o controle da inflação, a nossa tarefa na área fiscal e vamos continuar adotando políticas que ajudem no crescimento.", disse.

Para ele, o resultado do PIB do segundo trimestre não deve afetar a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) sobre a Selic. "A decisão de hoje do Copom vai ser fortemente pautada pela inflação. O consumo está forte mas não dá para dizer que está explosivo", ponderou. Ele lembrou que o crescimento do consumo das famílias foi de 6,7%, portanto, muito próximo do crescimento do PIB no segundo trimestre, que foi 6,1%.

Opep

Bernardo avaliou que a decisão da Opep de limitar a produção de petróleo é uma questão conjuntural. Segundo ele, é preciso aguardar para ver o que irá acontecer. O ministro, no entanto, acredita que o preço do barril do petróleo deve se estabilizar num patamar entre US$ 80 e US$ 90. Paulo Bernardo lembrou que o preço do barril já chegou a US$ 140.

Bolívia

Em relação ao bloqueio na Bolívia, provocado por militantes da oposição ao governo do presidente Evo Morales, o ministro disse que ainda não há razão para preocupação. Paulo Bernardo atribuiu o bloqueio a uma situação política.

"Acho difícil cortarem o gás para o Brasil. Seria uma atitude extremada. Não é um problema só do Brasil. Afeta também as finanças bolivianas", disse o ministro, antes de ser informado de que novas ações de manifestantes bolivianos teriam provocado danos em um dos gasodutos que ligam os campos produtores ao Gasoduto Bolívia-Brasil, o que poderia afetar o fornecimento de gás para o País.

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