As vendas diretas de dólares ao mercado, retomadas hoje pelo Banco Central, foram discutidas pela manhã na reunião de coordenação política realizada no Palácio do Planalto, segundo relatou à Agência Estado o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. O presidente disse que não tem interesse que nenhuma empresa quebre, por isso mandou liberar recursos, comentou.

"Mas ele frisou que não é para torrar as reservas internacionais para alimentar a especulação."

Segundo Bernardo, a alta do dólar colocou em dificuldade um grupo de empresas exportadoras que haviam assumido compromissos contando com uma cotação mais baixa. Por isso, disse ele, o Banco Central tratou de dar liquidez, liberando dólares das reservas. A diferença em relação aos leilões que já vinham sendo realizados é que agora não há compromisso de recompra dos dólares pelo Banco Central.

A medida, porém, gerou alguma controvérsia na reunião. Segundo Bernardo, o vice-presidente, José Alencar, defendeu que as empresas que apostaram na cotação errada deveriam arcar com as conseqüências e não caberia ao governo socorrê-las. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, explicou então que não se tratava de dar dinheiro a elas, mas apenas de garantir liquidez com os meios existentes. Meirelles acrescentou que o Banco Central, ao vender dólares, não estava mirando uma cotação específica. Tampouco especificou quanto das reservas pretende utilizar nos leilões. "No final, concordamos que, se precisar de dinheiro de banco oficial para emprestar, é legítimo fazer isso."

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