O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que enquanto a crise internacional estiver circunscrita às instituições financeiras a economia brasileira não deverá sentir efeitos muito fortes. Na avaliação dele, se a crise não atingir outros setores da economia americana e internacional, vai restringir a oferta de recursos e talvez reduzir um pouco a demanda externa por matérias-primas (commodities), mas acho que não dá para ter um feitio muito forte na economia brasileira.

Mesmo assim, Bernardo pontuou que o governo brasileiro não pode descuidar do monitoramento da turbulência.

O ministro do Planejamento afirmou também que a economia americana ainda não entrou em recessão por conta da crise e acrescentou que, se isso acontecer, aí sim, os efeitos podem ser mais sérios, inclusive para ao Brasil. "Já faz um ano e três meses que essa crise se arrasta e ainda não houve nenhum trimestre de crescimento negativo nos EUA. Certamente se houver uma recessão forte nos EUA todo mundo será afetado, inclusive o Brasil", disse.

O ministro afirmou que o governo brasileiro não tem nenhum pacote adicional para enfrentar o cenário externo turbulento. "Até porque já fizemos isso neste ano, ao aumentar a meta do superávit primário para 4,3% do PIB". Ele ainda afirmou que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não deverão ser afetadas pelo enxugamento do crédito no mercado internacional. "A maioria das obras do PAC é financiada por recursos do orçamento ou do BNDES". Ele reconheceu, entretanto, que investimentos que estão fora do PAC podem vir a ser afetados por falta de crédito, mas lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deu uma orientação para que o governo busque aumentar os recursos disponíveis no BNDES para atender a demanda.

Pacote americano

Bernardo fez críticas ao pacote americano de socorro aos bancos atingidos pela crise do mercado imobiliário. Para o ministro, o pacote deverá resolver o problema, mas ressaltou que os mutuários americanos endividados não estão tendo o mesmo tratamento dispensado aos bancos. "É curioso que os mutuários, também afetados pela crise, aparentemente não conseguiram ter o mesmo olhar do Estado", afirmou. Bernardo participou do VII Fórum Brasileiro sobre a Reforma do Estado.

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