Propostas para reajustes de salários sem a indicação da fontes dos recursos terão impactos na União e nos Estados, diz ministro

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje em seminário para discutir o Orçamento que está havendo, neste ano, "um verdadeiro surto de votação de projetos no Congresso que não têm sustentabilidade do ponto de vista orçamentário". Segundo ele, há vários projetos reajustando salários de servidores com impacto na União e nos Estados, sem a indicação de fontes dos recursos.

Segundo ele, somente uma emenda constitucional que equipara o salário de delegados aos do Ministério Público teria um impacto de R$ 8 milhões por ano em São Paulo. Ele também criticou o reajuste de 7,71% aprovado pela Câmara para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo.

"Houve um verdadeiro torneio no Congresso para ver quem dava mais e, de última hora, ainda entrou o fim do fator previdenciário", criticou. Para ele, as duas medidas devem ter um impacto de US$ 60 bilhões nos próximos cinco anos - R$ 30 bilhões para o reajuste das aposentadorias e outros R$ 30 bilhões para o fim do fator previdenciário. "Se querem fazer essa bondade adicional, têm que dizer de onde vem o dinheiro", defendeu.

Bernardo disse que por trás deste "raciocínio perverso" do Congresso está a ideia de que o problema poderá ser resolvido depois das eleições. O ministro afirmou que é preciso dizer como será resolvido: se vai haver reforma previdenciária ou se haverá alta de impostos.

O ministro também criticou algumas categorias que estão em greve por reajuste de salário. Segundo ele, algumas já têm reajuste programado para julho, mas querem aproveitar o ano eleitoral para ganhar novos aumentos.

Lula

Bernardo acrescentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou informar ministros e presidentes de autarquias dos reajustes já aprovados de que o governo não tem como conceder novos reajustes. Segundo ele, em alguns casos, os próprios ministros ou presidentes de autarquias incentivam os servidores a pedir aumento de salário. "Temos uma espécie de padrinhos sindicais dentro da máquina, mas não temos previsão orçamentária para este ano", disse o ministro. Ele contou que, hoje à noite, o presidente Lula terá uma reunião com alguns ministros para discutir as questões salariais.

"Alguns dirigentes precisam ser esclarecidos que não vai ter reajuste para servidor este ano", disse Bernardo. Ele falou também que o governo está questionando a legalidade das greves e vai descontar os dias parados. No entanto, ele não quis responder se o presidente vetará o reajuste de 7,71% para os aposentados, caso a proposta também seja aprovada no Senado. "O presidente vai saber tomar a decisão dele", disse.

Grécia

O ministro afirmou ainda que os investidores que tirarem recursos do Brasil para aplicar em outros mercados, temendo os efeitos da crise da Grécia, perderão dinheiro. "O Brasil terá um dos melhores índices de crescimento este ano", afirmou.

Ele lembrou que o Brasil foi o país que sofreu as menores sequelas da crise norte-americana. Segundo o ministro, há previsões de que o Brasil se tornará a quinta maior economia do mundo antes do fim da próxima década.

O ministro disse que o governo tem acompanhado a situação da Grécia e a preocupação de que a crise possa se reproduzir em outros países da Europa. Afirmou, no entanto, que acredita que o pacote de ajuda à Grécia deve resolver o problema.

"A Europa se tornou uma economia integrada. Não tenho dúvida de que vão resolver isso", disse. Além disso, de acordo com o ministro, há uma avaliação de que a economia da Grécia não tem peso para arrastar o mundo inteiro para uma crise.

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