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O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou hoje que o governo avalia que a crise internacional originária no mercado financeiro norte-americano deve durar pelo menos mais seis meses ou até um ano, embora com uma intensidade menor do que a vista nos últimos dias. O ministro, que participou da reunião de coordenação política pela manhã, disse que a questão da crise foi discutida por mais de uma hora com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o encontro e a avaliação foi de que a aprovação do pacote pelo Congresso norte-americano vai ajudar a distender a crise, embora não vá resolvê-la por conta de sua magnitude.

Segundo ele, tudo indica que o Congresso dos EUA vai aprovar o pacote.

Ele voltou a descartar revisões no Orçamento da União.

Segundo o ministro, a crise norte-americana merece toda a atenção, mas, na visão do governo, não há ainda necessidade de adoção de medidas para enfrentar eventuais problemas que a crise possa trazer para a economia brasileira. "Nossa avaliação é que, aprovado o pacote, a crise distende um pouco. Se com medidas adicionais pudermos ajudar, nós vamos fazer, mas não há nada pronto. Não há motivo para alarde", disse ele ao acrescentar que o governo avalia que, apesar de a crise ainda não ter atingido a economia real brasileira, não se pode fingir que ela não existe. "Se houver necessidade, vamos adotar medidas. Não há, nesse momento, necessidade de outras medidas", reforçou, descartando a existência de um pacote para enfrentar a crise. "A época dos pacotes já passou", disse.

Bernardo disse que as linhas externas podem ser afetadas pela crise internacional e, por tabela, afetar as linhas de crédito no Brasil. Mas ele destacou que é preciso esperar para se avaliar a situação porque em momentos agudos de crise é normal que "todo o mundo feche a torneira".

O ministro disse que a situação do mercado imobiliário brasileiro é completamente diferente do mercado norte-americano, onde se originou a crise. Segundo ele, a oferta de crédito imobiliário no Brasil até pouco tempo atrás era muito limitada e o governo tem se empenhado em ampliar essa modalidade. Ele informou ainda que o governo estuda mecanismos de estimular esse segmento, mas não deu detalhes. "O governo tem preocupação de ampliar e democratizar o acesso (a crédito). Não há problema com o nosso crédito imobiliário."

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