Ministro diz que, em anos de crise, normalmente são os pobres que pagam a conta

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O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, comemorou a queda na desigualdade de renda do Brasil no ano passado, mesmo com a crise econômica, fato mostrado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2009. A pesquisa revelou que o Índice de Gini (escala entre 0 e 1, usada para mensurar desigualdade de renda, em que 0 corresponde à completa igualdade de renda e 1 corresponde à completa desigualdade), recuou de 0,514 em 2008 para 0,509 no ano passado.

"O Índice de Gini é muito difícil de mudar e, mesmo em um ano de crise grave, ele recuou no Brasil, o que mostra que os mais pobres tiveram maior alta na renda do que os mais ricos", afirmou Bernardo em entrevista à Agência Estado. "É um dado muito positivo esse índice ter caído, já que, normalmente, em ano de crise, os mais pobres é que pagam a conta", acrescentou.

Para o ministro, o que determinou esse resultado positivo no ano passado foi a estratégia de manutenção dos principais programas sociais do governo federal, o estímulo à agricultura familiar e a política de elevação do valor real do salário mínimo, além do fato de o País ter gerado quase um milhão de empregos formais. Bernardo não se arrisca a prever se o Índice de Gini vai cair abaixo de 0,50 em 2010, já que o Brasil retomou forte ritmo de crescimento econômico e voltou a reduzir a taxa de desemprego significativamente.

Mas ele acredita em nova redução do indicador de desigualdade neste ano. Sobre o fato de o Índice de Gini do Brasil ainda ser muito elevado em termos internacionais, o ministro afirmou: "Nós levamos 500 anos para construir essa desigualdade. O importante é que o processo de redução dela deve continuar".

Ele ressaltou que, nos últimos 5 anos, a renda média dos 10% mais ricos do Brasil passou de 64,2 vezes maior do que a renda média dos 10% mais pobres para 45,3 vezes em 2008 e 38,5 vezes em 2009. "E isso ocorreu não porque os ricos empobreceram, mas sim porque os pobres tiveram ganhos mais acelerados de renda. Para um governo com o perfil do atual, isso é uma vitória", afirmou o ministro do Planejamento.

Analfabetismo

Sobre o ainda elevado porcentual de analfabetismo, Bernardo disse que as informações que obteve junto ao Ministério da Educação são de que o problema se concentra em áreas rurais, mas disse que tem ocorrido melhora, embora seja preciso avançar mais. Ele destacou que, mais importante, é o fato de que o acesso a escolas para as crianças brasileiras em idade escolar está praticamente universalizado, o que traz boas perspectivas para o futuro em termos de redução dos índices de analfabetismo.

O ministro também considerou positivo o fato de haver mais contribuições para a previdência, mas ponderou que é preciso ter um sistema equilibrado, que garanta o pagamento de aposentadoria dessas pessoas no futuro.

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